18 – Corromper

O objetivo é o poder
Um, dois, três, quatro…
Agora você vai perder
Pense sobre você
Uma arte? Um quadro?
Você vai se perder

Eu vos avisei a tempo
A inocência não é desculpa
Corrupção te acerta o peito
Culpa é inteira sua

Roubo-lhe a atenção
Leia mais, tolinho
Caindo caindo facinho
Envolvido com afeição

A ira faz mal, cordeiro
Consome sua alma
Fará seu prisioneiro

Manipulo você como um trouxa
Há quem valorize sua imbecilidade
Eu, por exemplo, me sinto à vontade
É que eu gosto do controle, poxa…

E você continua lendo
E você continua ouvindo
Saindo de seu senso
Sendo obediente…
Que lindo…

Um, dois, três…
Acabou.

15 – Metalinguagem

Penso, penso, penso
Sobre o que eu vou falar?
Talvez um amor imenso?
Não… Odeio essa temática
Talvez sobre as dificuldades
Essas a vida me dá de montão
Mas pra que mais de novo então?
Botar em outro lugar essa vulgaridade?
Eu sei que decerto eu mereço a autoridade
De falar sobre a minha vida
Posso ter a verdade garantida
Não interfere na minha integridade
Mas, ao transformar em texto
Perco no discurso
Na hora saio do eixo
Palavra atrás de palavra eu uso
Formando todo um contexto
E acabo caindo no buraco sem fundo

O consciente briga de volta
Ele quer o poder de não pensar
Mas a escrita sempre vence
Ela quer me representar
Marionete dos dois eu movo
Pauzinhos que batem sem parar
Os fios que se enroscam e de novo
Eu continuo a balançar
Eu não sei mais o que estou fazendo
Meus dedos batem na tela sem parar
Eu sei que estou escrevendo isso
E ela sabe que vai ter que parar
Antes que eu possa voltar
Antes que eu me sinta só
Ela ainda me deixa um último
Pensamento:

“Você é meu e eu nunca vou te deixar”

E eu respiro com alívio
Porque não sei mais viver sem ela
E ela some enquanto vivo
Mas quando desligo
Ela se apodera de minhas mãos