13 – Medo Visceral

Ícaro caiu do céu sorrindo
Pandora viveu com esperança
Perdiz voou grandes distâncias
E Odisseu foi afinal acolhido

Os fungos decompõem a carne
O fim de amizades significa novos amigos
As roupas que não mais cabem
Podem ser doadas e caber em outros
Indivíduos

E o louva-a-deus morto terá filhos
E o mundo, mesmo com plástico
Está em seu giro contínuo
E, mesmo com as eleições no papo
Um dia o mandato acaba

Eu não me assombro com monstros
Com espíritos ou fantasmas
Eu tenho medo de humanos
Medo de algum mal me faça

A morte, que é o medo visceral
Vai chegar algum momento
O universo cresce, imortal
E o declínio vem com o tempo
Decaimento fatal



“Não há bem dure para sempre
Nem mal que nunca acabe”
Minha mãe fala em minha mente
E eu lembro como um escape

Claro que tenho meus desesperos
Meus dias vazios
Claro que choro no banheiro
Com a mente a mil

Hoje eu tenho medo do futuro
De como vou construir minha vida
Eu sinto que tenho nada em mãos
Só um passado escuro
Sem sequer ponto de partida

Perdido no céu da noite
Eu ando com a música no máximo
Fugindo dos pensamentos acumulados
Às vezes eu os deixo que me achem…

Já vi rirem de quem se assusta com os próprios pensamentos
Esses não conhecem o que é medo
Só ficam chateados
Por isso têm como entretenimento
Os derrotados

Eu não subestimo medos
Às vezes não podem ser controlados
Eu enfrento quando preciso
Me reinvento, dou meu jeito
Mas às vezes só fico parado

Marinando no próprio cansaço
Falando de nada com ninguém
Cheirando a fracasso
Sozinho me desfaço aquém de quem fui
Aquém do que eu posso e o que eu faço

Hoje o medo venceu
Amanhã eu levanto e retraço os planos
Eu só não consigo mexer meu braço

Será que palavras bonitas me salvarão?
Do fundo do poço que caio há meses
Que caio em êxtase
Que caio em vão?

Eu não sei, não.
Queria ser o Ícaro de antes
Eu acabei só sendo um vacilão.