Dia 5: Estética Pop Rock Genérica

Quero ser honesto
Quero ser mau
Quero invés disso
Ver um show mundial

Quero um namorado
Quero um mundo melhor
Quero andar de carro
Ou até a pé só

Quero transar com ele
Até o peixe pedir pra parar
Quero mil vezes você
Quero te reconquistar

Mas se a vida é injusta
E eu só ando à pé?
E mesmo se o peixe não fala
Você não vem nem me quer…

Vida de merda
Já te adianto
Saio trampando o dia todo
Só pensando nos planos
E quando eu tenho um tempinho
Gasto tudo amando
Mas é que por aí tem uns vazios
Que eu tô ocupando

Maldito coração perdido
Eu te amo tanto
Eu te amo sem engano….
Sem ganhos…

E sem saber se quero te ver me amando…

Eu torço por mim
E eu curto a vida
Desce mais uma dose
Lá vou eu pela esquina

E quem me disse
pra viver um dia depois de outro dia
Mal sabe que vivo por hora,
Por minuto por dia
Cada segundo cronometrado
Não dispenso ousadia

A vida é boa pra caralho
Fumo um e trabalho
Às vezes encontro meus amigos
Bando de cara chato

Eu gosto mais é do meu quarto
Do meu eu bagunçado
Das festas eu engulho apenas
A música e uns machos

Mas fica chato quando já tá no fim
E eu olho ao redor e não tá mais aqui
Não tem nem amigo, nem você e nem a música
Então bolo um Beck e fumo pensando em Cazuza

“Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia”

Vida de merda
Já te adianto
Saio trampando o dia todo
Só pensando nos planos
E quando eu tenho um tempinho
Gasto tudo amando
Mas é que por aí tem uns vazios
Que eu tô ocupando

Talvez eu esteja exagerando
Pare, reveja sua vida!
Pense no tempo gasto!
Mas nunca deixarei de ser devasso
Por mais que não seja normal
Por mais que não seja legal
É o que eu faço!

Dia 4: A morte

Espinhos por todo o corpo
Cabelo, braços, pescoço

O mundo era seu palco
Juntava multidões
Realizava espetáculos

E a todos, esperniava
Ah! Tudo Agonizava!
Não aguentava tamanha audácia!
Petulância inebriada.

O emprego era simples
Emprego de estração
Chegava com material em mãos
Retirava maldita maldição

E tamanha era minha frustração…

Ninguém queria receber ela
Mas chegava sempre na festa
Sozinha se sentia, deprê
Nunca sentiria prazer…

O toque era sempre leve
Como uma brisa à tarde de primavera
Ninguém nunca jamais espera
Ela se alimenta assim…

Surpreendentemente fiquei assim

Surpreendido com o espetáculo
De fato, também horrorizado
Maldita filosofia que não cura
O que guardo debaixo da armadura

Ingratidão à senhora querida
Peça “por favor”
antes de tua vinda
Sentirá o frio quando
seus dedos longos tocarem tua ferida
Não terá nenhum plano
Que impedirá seu avanço
Dessa maldita

De repente está
De repente existiu
De repente chorará
De repente, ninguém viu
Tudo foi muito rápido
Não saberia como reagir
E o mundo caiu
Não há mais volta
Faca, ideia ou pistola
Acabou o Brasil

Queria te ver de novo
Fumar maconha
Comer um biscoito
Amei-te pela infância
Lembrarei-te pela magnânia
De novo, de novo e de novo.

A morte me fala todo dia
Que ela não é maldosa
Ela só boa companhia

Ri quando conto piadas
Mesmo que sejam mais perigosas
Ela me protege de espadas
Nada poderia ferir a vossa
Senhora

Mas eu nunca teria
Um romance com a morte

Será que… Aconteceria?

O chamado da morte
Clamando entre as ruas
Minha boca encostando na tua…

Olha, por sua sorte
Jogo paciência como esporte
Sou homem de médio porte
Lido com meus problemas de frente
Sou cabra criado, sou gente
Desfaço chamado
Sou potente

Puxei-te a alma pro lugar
Martelei seus dedos
Nunca mais vão soltar!
Maravilha estar como está

MALDITO NECROMANTE
Não queria ser salvo
Queria voar bem distante
Cair e receber minha ferida

Necessária morte sagrada
Poupe-me
De tamanha labuta

Consagra-me
Com tua esperteza
E conduza-me para onde me cura
Oh peste que escuta!

Desata-me de tuas bagunças
Desfaço minhas apostas
Expulsa, expulsa
Livro-me de ocasiões impostas

Viverei minhas vida
Sem tempo de ida ou vinda
Serei eu para o mundo
E a morte pode vir me dar um susto

Dia 3: Três Cavalos Fumando

Uma fazenda abandonada
Grilos estavam cantando
Não acontecia nada
Se tivessem olhando

Verdade não contada
Não segure espanto
Mas a fazenda pacata
Escondia animais semi-humanos

Atentos aos meandros
Quietos, espertos, malandros
Pisando fofas patas
Criando sua Arcádia

Paraíso dos falantes
Sejam pequenos, grandes
Todos dão entrada
Satisfeitos da jornada

E eles cantando!
E ainda dançando!
Coelhos e vacas
Ratos e cabras

Imitando filmes mexicanos
Atuando o “Super-Pasta”
Mudando algumas falas
Rindo e chorando

Parece besteira falando
Eu não acreditava
Quebrei a cara
Mas fui fotografando

Olha aqui:

Três cavalos fumando
Não, não era engano
E não, eu não estou brincando!

Eram três cavalos fumando!

E um deles estava montado
Era montado por outro cavalo
Sim, eram dois cavalos malhados
E um cavalgando em cima dos outros
Abestalhados

Aonde eu os vi você pergunta?
Foi logo ali
Naquela fazendo maluca
Uma grande espelunca

Mato cobrindo todo lugar
Exceto o curral, celeiros e a casa
Espertos bichos encrenqueiros
Vou acabar com essa farra já!

Pois subo cerca
Invado a propriedade
O controle que me perca
Vou revelar a verdade

Embrenho-me no mato
Arranco plantas como posso
Encontro alguns ossos
Rastejo para passar silencioso
Vou pegá-los no ato

Cada vez mais difícil passar
Dou meu máximo por cá
A primeira vez foi mais fácil
Sinto algo de errado pelo ar

A noite cai ao chão
Escuridão me devora
Uma mísera minhoca me apavora
Sigo na mesma direção

De alguma forma, perdi-me nessa ida
Não consigo achar a passagem
Perdi a entrada e a saída
Sentindo-me Bobo e selvagem

Um cheiro forte de medo
De suor, dor e peito
Cheiro fétido que indica direção
Sigo, já querendo sair da escuridão

Vejo a fazenda
Em um ângulo diferente
Tudo parece maior, e imponente
Domino o lugar
Sigo em frente

E o que estou fazendo?
O que farei?
Estou tanto incomodada
Devo encarar a bicharada

Entro no celeiro
Vejo a turma
De repente, enrubreço
Uma voz: “Continua!”

Música desperta tocando
Todos na balada
Sigo eles balançando
Esqueci da bobajada

Quero mais viver
Sem continuar julgando
Rua é Saber
Ela está chamando

Dia 1: Coluna Vertebral

Eu paro no meio da rua
Olho para os lados
Vejo pouco além da lua
Algumas casas, e insetos
“É aqui que eu me acabo”

E um grito se vai
Esse muito muxoxo
Mas sofrido demais
Estremeço o osso

Então outro grito se solta
E agora não tem mais volta
Sinto uma criatura dentro de mim
Pronta para me explodir

Grito ainda mais alto
Agora eu sinto a dor
Sinto o amargor em cada segundo
E continuo, apto a cair no chão

E é isso que faço,
O som fica um pouco abafado
A voz trêmula entoa o chamado
O grito se tona um chamariz de otário

E é nessa hora que o show começa
O meu corpo não aguenta a pressão
Já no chão, começa a contorção
A água ali da rua é suor e lágrimas

Se tiver tempo, então que se despeça

Explodo em mil pedaços
Minha carne, meu sangue, minha pele
Por todos os lados
Não sinto mais o que me impede
O passado não faz mais sentido
Não tem mais futuro perdido

Eu me desgraço completamente
Eviscerado, verdadeira carnificina
O sangue no chão não mente
Ele corre, espesso, até a esquina

A carne está maravilhosa
E os insetos estão festejando
Ratos, pombos, algumas idosas…
E até a mosca moribunda
Jantando alegria absurda

Os vizinhos olham assustados
“Ô dó, não pude fazer nada”
Assistindo, fotografando a desgraça
Amanhã os outros serão informados
Fofoca correndo solta na língua de um
E no ouvido da outra

E o que sobrou na rua?
O sangue embaçado, o brilho da lua
A memória de um ato visceral
E a minha coluna vertebral

14 – Olhos demais

Existe um deus que me olha
Desde criança até por agora
Sabe meus gostos, viu minha
Melhora
Esse deus está me matando
Por dentro e por fora

Existem pessoas que me vêem
Olhos cheios de violência latente
Ansiosos por decidir quem é gente
Olhos que falam, olhos que mentem

Vejo também olhos de preocupação
Olhando o além ou até mesmo o filho
Olhar de carinho, de sonho ou proteção
Esses são os que fortalecem, os que brilham

Do amor ao sentimento deturpado
Aquele que busca uma objetificação
Olhos pedindo uma aprovação
Esses daí eu nem fico preocupado
Não vão andar do meu lado

Eu vejo olhos vendo olhos eu fico vendo olhos e olhos me vêem
Eu não quero mais nada de ninguém

A deus, ofereço meu escárnio de sua inexistência
Aos que odeiam, se cubram ante minha presença
Ao fraternal, que um dia eu possa retribuir
Aos que usam, vocês não passam daqui

Agora eu posso me ver
Possuo uma boca pra falar
Possuo olhos para enxergar
Um corpo para poder ser
Não preciso mais de outros olhos
E se secarem ao vento, pode deixar
Eu molho

Vocês são pontos de vista
São meros analistas
Eu posso viver longe disso
Vou aprender a lidar comigo

12 – Inktober

Para mim o inktober está
ajudando-me a escrever
Está aí, você consegue ver
A palavra logo ali rimar

Dia após dia um texto novo
Todos lindos, recém criados
Refletindo o meu estado
Descrevendo o meu contexto

Agradeço mais aos leitores
Do fundo do peito peludo
A sua torcida não tem preço

Finalizando num soneto
Escrevo sem o amor aqui
Ele Não está em meu conceito