17 – Gótica

Porra de gótica, minha filha
Você toda rosa, toda patricinha
Entra na roda e toda hora se humilha
Ninguém merece você
Nem a gente, nem o céu e nem sua família

Se seus pais falam “A” contra o estilo
Você respeita pela religião
Aí sustenta a carona de fodona na rua
Mas em casa é “pois sim, pois não”

Todo mundo aqui tem problema
Fodidos que infelizmente enfrentam
O sistema
Mas você? Você não
Tem dinheiro, tem amigos, tem fama
Tem carrão
Tem comida, tem família, tem gente dando em cima
E fica procurando mais e mais atenção

Eu não aguento mais ouvir de você
De quantos otários você quer fuder
De quantas otárias você deixou na mão
E fica brincando por aí com os nomes deles
Ao invés de só dizer “não” pra eles

Eu não aguento mais seu egocentrismo
De controlar a conversa inteira
Como se o mundo fosse seu umbigo
Como se eu quisesse saber sobre os segredos
De sua beleza

Minha irmã, você não é gótica
Você só é uma menina mimada
Que vive chateada por nada
Que come caviar
E fica triste pelos pobres na estrada
E quando chega um morador de rua
Vira a cara
E quando aparece uma ONG pedindo auxílio
Não dá um mísero real
Porque papai vai ver no cartão
E vai “ficar de mal”

Na moral

Fica longe de mim
Leva sua bota longa preta
Sua bolsa da fenty
E seu casaco de couro daqui

Cansei de ser bonzinho
De ser só um amigo gentil
Vou beber meu vinho barato gelado
E vou pro cemitério com a galera do lado
E os chatos de galocha como tu
Não estão convidados