Eu me perdi

O reflexo de meu tormento
Se esconde dentro de mim
Como uma erva daninha no jardim
Eu quero arranca-lo sem ressentimento

Vejo minha criança interior
Ela chora ao se ver no futuro
Eu com toda força do ardor
Negligencio, deixo ele mudo

Mas não esperava que ela pudesse
Projetar em mim os piores medos
De fato sua força ela conhece
Tão poderosa que me vejo cedendo

E eu falhei com meu Ícaro pequeno
Sei que falhei várias vezes com ele
Ele só queria viver bem e pleno
Mas eu queria o sofrimento na pele

E o que segue um auto sacrifício
Nem sempre é algum benefício
Eu me destruí por nada esses anos
Por isso a criança continua chorando

Eu achava que estava sendo forte lutando
Estratégia que gerou resultados esperados
Mas não vale a pena continuar desmoronando
Só para eu conseguir viver minha verdade isolado

Eu agora não tenho mais nada para dar
Porque tudo já foi trocado por felicidade
Eu só tenho memórias que viram saudade
E tristezas que eu visito na porta do bar

Quais incertezas giram na cabeça de um homem feito?

Que insegurança poderá penetrar na alma de uma pessoa bem sucedida?

E sinto a fraqueza de ser alguém bom
Como uma planta que definha no jardim
E sinto que tudo agora depende de mim
Pois no fundo de cada um há um som
Que nos guia em direção ao fim

Pois acabarei sendo a criança chorando
Batendo a cabeça no chão, esperneando
Tentando lembrar ao meu eu mais presente
O que precisa para se construir dignamente

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Reflexão pré-escrita:

Ando vendo o reflexo de meu eu criança correndo atrás de mim, chorando e brincando. Eu cresci rápido demais e eu nunca quis ser adulto, mas cá estou: homem formado com o mundo de responsabilidades em cima de mim, mais do que simplesmente brincar até cansar.
E eu adoro isso. Eu realmente precisava crescer e viver tudo isso… Mas valem as perdas? Ao olhar para trás e pensar em escolhas que tomei, fases que já passei e respostas para certas perguntas que me definem até hoje eu me sinto derrotado pelo tempo que concretou meus caminhos trilhados. Certamente todos esses caminhos me formaram e eu não poderia escolher outros. Sei que foi o melhor que eu podia escolher ou ao menos o que minha cabeça considerava o melhor para mim, mas eu ainda assim não consigo me perdoar por não ter sido uma pessoa melhor.
E eu sinto tanto sua falta…
Nesses momentos em que eu estou sóbrio e dentro de uma experiência profunda, eu me encaro e vejo a criança de novo brincando. O que essa criança espera de mim? Como eu posso ser amigo dela de novo?

Eu perdi minha felicidade interior. Eu perdi meu amor e meu brilho nos olhos. Eu perdi a vontade e a gana de conquistar meus objetivos. E isso tem a ver com a minha criança. E adolescente. E adulto. Todos vivendo dentro de mim.
Eu quebrei e ainda não consegui consertar.

Foda.

O que é mais adulto: desistir ou perseguir seus sonhos?

Um assunto que está se tornando comum nas rodas de amigos comigo é sobre essa grande dicotomia da atualidade: ou eu desfaço meus sonhos para perseguir uma perspectiva de vida mais economicamente estável ou eu sigo meus sonhos e vivo miseravelmente me alimentando apenas de meus sonhos. Cada uma com seus pontos positivos e negativos, essas escolhas para pessoas de minha idade definem completamente a vida delas. Considerando o sucesso de uns e a derrocada de outros, como saber que escolheu o caminho correto?

A resposta é que não tem como saber. Eu escolhi a realização pessoal e estou lidando com os problemas disso – e ISSO é ser adulto. Lidar com os problemas de nossas escolhas e persistir em sobreviver. Entender que determinadas escolhas não voltam atrás, que podemos ser tolos e podemos dar sorte, mas tudo depende de nós. E entender isso não significa nos punir pelas escolhas erradas, mas absorver como potencial futuro.

E eu escolhi o caminho da realização pessoal. Se cometi um erro ou um acerto só depende de mim e do que acontecerá com meu futuro. O que eu me importo é o agora e agora eu consigo me alimentar e me sentir feliz onde estou. Possuo planos para meu futuro porque eu quero continuar no meu sonho e traçar novos sonhos a partir dele porque eu descobri algo bem importante recentemente: se você não tem sonhos, você não consegue viver. Se você não tem um objetivo de vida, você não vai para frente. Seja seu objetivo sustentar sua família, sair do país, ser o melhor professor do Brasil ou até mesmo o maior intelectual que já existiu, tudo precisa começar em algum lugar.

Portanto eu sonho. Eu sonho que eu vou mudar Salvador ou alguma cidade. Eu quero fazer do planeta um lugar que consigamos viver. Eu quero que as pessoas tenham casa. E eu vou construí-las.
Não vou dizer que não me arrependo. Que não tenho momentos de fraqueza. Que em conversas com pessoas mais ricas eu não fique mais acanhado ou desestimulado. Mas esses momentos de fraqueza fazem parte do pacote que eu escolhi chamado “realização pessoal”. Cabe a minha procurar o meu lugar na minha vida e distanciar a minha vida do discurso de outras pessoas, apesar de viver na mesma cidade e estar nos mesmos lugares.

Esse texto não fala sobre pessoas que tiveram escolhas difíceis ou impossíveis de tomar e também não fala sobre pessoas que juntaram a realização pessoal com a vida economicamente ativa, ou pessoas em que não vêem a diferença entre esses dois porque para essas viver é ser rico e mimado. Esse texto é um desabafo sobre conversas em diversos ciclos de amizade que eu estou enfrentando faz um tempo sobre minha decisão de fazer ciências sociais.

Sou professor. Sou sociólogo. Posso ser muito mais a partir daqui. Basta eu procurar e bater de frente para correr atrás de meus sonhos. Fodam-se os “não” no meio do caminho, e muito mais as pessoas que jogam suas frustrações e seus sonhos perdidos em minhas costas. Eu sei quem eu sou. Posso mudar no futuro. Posso reajustar meu sonho. Mas continuarei sendo Ícaro.

Para aqueles que se perderam dentre a vida, que perderam o ritmo da mudança e começaram a afundar os pés no asfalto em um dia de sol quente: comecem do zero e tenham coragem para isso. Refaçam seu ritmo. Mudem o ritmo. Comecem com afazeres pequenos. Pensem o estilo de vida que queiram viver. E, por fim, desenvolvam seu sonho. Sua gana.

(Foda-se Sartre ou qualquer outro filósofo que possa ser interpretado quando eu escrever isso. Eu não queria criar essa ponte).

Yragos e Ossent (Parte 1)

A chuva estava torrencial quando Yragos subia a rua e cada uma de suas passadas equivaliam a dois dos seus passos normais, revelando sua ansiedade e angústia, como se estivesse atrasado para um compromisso importante

“Espero que Ossent chegue logo.”

Suor escorria em sua têmpora e em suas mãos, mas Yragos não tinha tempo para pensar nisso. Ele precisava chegar no ponto de encontro exatamente no mesmo momento que Ossent, sua companheira de grupo, chegasse, mas por conta de tudo que estava acontecendo, ele preferiu ir mais cedo um pouco e esperava que Ossent tivesse a mesma ideia. Eram quase cinco horas da tarde, mas as nuvens pesadas no céu faziam parecer quase noite. As ruas estavam muito vazias, como de costume, afinal não era todo mundo e não era sempre que alguém precisava ir para o centro da Fortaleza. Imensas casas e torres de pedra branca, cinza e azul escuro subiam pelas ruas recém pintadas em tons amarelos, vermelhos e branco, como se tentassem animar aquele dia cinzento. Os iluminantes bastões de luz já começavam a acender, dando uma sensação um pouco fantasmagórica àquela rua fria de chuva. Yragos virava a esquina quando se bateu com um senhor carregando diversos materiais diferentes em suas mãos

“Desculpa – disse, enquanto apertava o passo, sem esperar sequer ver o rosto do senhor”.

Dali ele começava a ver o ponto de encontro: o Centro de Aperfeiçoamento e Análise do Absurdo (CAAA), uma casa gigante situada em um terreno maior ainda. Ele diminuiu o ritmo do passo para se acalmar e conseguir pensar direito. Tudo tinha que dar certo naquele dia e eles só tinham uma chance. Ao longe, Yragos via  que Ossent estava quase no lugar marcado. Novamente, apertou o passo.

Eles estavam ali para uma missão que seu grupo confiou a eles. Os Sem Pátria foi um grupo criado há mais de um século por pessoas que entenderam que haviam determinados fatores que impediam a atuação do Estado ou dos grupos de apoio em determinados lugares ou o contrário: a atuação do Estado piorava determinados fatores da comunidade e, por conta disso, era necessário um grupo de iniciativa própria das pessoas ali de intervir contra àqueles problemas. E era quase natural que realmente existissem essas organizações, a ideia se espalhou e era muito comum que existisse até uma comunicação entre as SP próximas, com uma reunião a cada seis meses dos principais responsáveis. Mesmo com toda essa responsabilidade, eles nunca quiseram auxílio ou participação do governo ou de outros grupos dentro de suas ações. Às vezes eles atuavam até mesmo em segredo e muitas vezes nem mesmo os moradores sabiam quem eram os membros da organização. As queixas eram feitas a informantes que traziam para um representante da agência.

Apesar da discrição, era nada grandioso demais e pouquíssimo trabalho, afinal não tinham muitos problemas que os grupos de apoio dos trabalhadores não pudessem resolver… Até ser criada a CAAA. Ao abrirem os primeiro cinco laboratórios de testes do absurdo há cerca de trinta anos atrás começaram a surgir murmúrios de atividade suspeita na região. A princípio, os moradores alegaram que estavam ficando loucos, mas ao conversarem entre si entenderam que não: eles tinham a impressão que algumas mudanças estavam acontecendo a todo o tempo sem que percebêssemos. A cor das ruas, de dentro de suas casas, a forma de alguns objetos e até mesmo imagens de seus sonhos reaparecendo no mundo real.

Os SP não acreditaram, mas ainda sim mandaram um grupo descobrir o que estava acontecendo – e eles nunca voltaram. Isso aconteceu há uns dez anos e os SP decidiram não tocar mais no assunto e encerrar de vez a situação, no entanto cada uma das sedes fazia sua própria investigação de sua área, mesmo com a desaprovação geral do conselho dos Sem Pátria.

Naquele dia, Yragos e Ossent tinham uma missão simples, mas importante: às cinco horas e dez minutos do próximo dia de chuva foi notificado que um homem sairia com algum tipo de caixa da CAAA e entregaria a eles. Eles, com a caixa, sairiam de lá o mais rápido possível e iriam para o esconderijo dos Sem Pátria. Eles tinham que ser impecáveis e aparecer sem atraso. Se o entregador não os visse, ele iria embora. Foi lhes dito que o conteúdo da caixa responderia muitas perguntas e deixaria novas em aberto e, como eles nunca tiveram uma resposta sequer sobre o que acontece no CAAA, essa era uma oportunidade única.

E lá Ossent estava, chegando no muro do Centro. O CAAA era uma casa enorme situada em um terreno maior ainda. Diversas vinhas subiam de suas paredes marrons-terra até seu teto em formato hexagonal, como se aquela casa tivesse submergido do solo para cima. Ao longe, não podia ver direito, mas dava para dizer que embaixo de toda aquelas plantas haviam diversos símbolos e desenhos que seria muito difícil de reconhecer. O grande terreno ao redor da casa estava ocupado por grandes equipamentos tecnológicos para captações de ondas e bulbos de eletromagnetismo, o que destoava muito da arquitetura meio rústica, brutalista do resto da cidade. Um muro de um metro num tom de rosa claro detalhado em branco, um pouco desgastado, separava não o terreno da pista, mas as pessoas do terreno. No portão principal de metal de quatro metros num arco que desafiava qualquer estudioso ou construtor com desenhos de animais enfeitando suas grades havia um aviso escrito:

ATENÇÃO:

Não ultrapasse!

Área restrita

Trabalhadores, favor evitar passar por aqui.

Os bulbos e os medidores podem ser perigosos e são muito sensíveis!

Os dois foram escolhidos para a missão porque os dois moravam perto. Yragos morava há duas esquinas dali e Ossent morava na direção contrária por um ou dois quarteirões. E lá estava Yragos chegando. Ossent estava com sua jaqueta usual e suas botas sujas com a chuva.

“Quase se atrasa, como pode?” – diz ela, sem nenhum receio ou intervalo, já se apressando para chegar no Portão

“Um senhor me atrasou, e a gente chegou cedo demais. Será que vão suspeitar ou alguma coisa?”

“Dificilmente. Ninguém vem aqui, pelo que pude ver nos últimos dias. Essa área da cidade realmente é bem abandonada. Nem mesmo os funcionários entram por aqui. Talvez existam gravadores de vídeo, mas com a chuva eles provavelmente estão embaçados. Muitas variáveis hoje e minha primeira pergunta é: como ele, ou ela ou elu ou sei lá, sabia que conseguiria fazer isso num dia de chuva e que esse dia seria próximo?”

“Talvez estude clima e tempo. Talvez esse seja o absurdo: a aleatoriedade do clima!”

“Talvez você seja muito burro.”

Eles chegaram no portão às 5:08 e esperaram cada minuto como se fosse uma hora. Cinco e nove. Cinco e dez. O minuto inteiro passando e os dois tentando enxergar se havia algum movimento dentro daquele mausoléu ao longe, mas nada mudou. Continuava com o aspecto de abandonado e distante. De repente, um trovão e um clarão atingiu o céu e, no momento em que os dois piscaram no meio daquela chuva, um reflexo passou pelos olhos de Yragos. Atrás dele, uma pessoa meio metro menor que eles dois grunhiu limpando a garganta.

“Com licença, senhores. Isto aqui é para vocês.”

A pessoa que se tratava provavelmente era uma estudiosa. Seus vestes eram pesados com diversos bolsos, a maioria ocupado com algum tipo de pequena engenhoca e a outra parte era com escrituras, estavam cobertas por uma capa de chuva bem maior que seu corpo, o que sugere que foi emprestada por outra pessoa. Um sorriso malicioso e um brilho diferente no olhar foram as únicas feições que Yragos conseguiu lembrar daquilo que estava em sua frente.

Com um movimento, a pessoa deixou uma caixa feita de um material muito curioso no chão e desceu a rua. Yragos e Ossent já haviam tratado de alguns assuntos mais estranhos que pegar uma caixa na mão de um estranho naqueles lugares, mas aquilo foi tão abrupto que eles ficaram sem reação. Yragos podia jurar que o homem passou por eles debaixo do muro para a calçada, mas era impossível alguém ser tão rápido. Piscou mais uma vez e viu Ossent andando, ou melhor cambaleando.

“Siga aquilo agora, eu fico com a Caixa. – dizia ela, e parecia dar urgência ao que dizia, mas sua voz perdera todo o tom energético de alguns minutos atrás.”

Yragos olhou ao redor, mas a chuva tinha ficado mais forte ali, fazendo ficar cada vez mais difícil enxergar mais do que alguns metros à sua frente. Ele já teria perdido quem o entregou a caixa.

Olhou para Ossent novamente e ela havia caído no chão. Seu rosto estava pálido e seus olhos estavam arregalados. Ela olhava para dentro da caixa. Yragos logo puxou Ossent para cima e a segurou contra o muro para que ficasse em pé, mas ela parecia em choque. Não se movia e nem fazia muito movimento além de respirar fundo.

“Deixe-me aqui. Leve a caixa para a sede e não olhe para dentro. – dizia Ossent, tentando se mover para se soltar de Yragos. – Eu vou ficar bem. Saia daqui com a caixa agora!”

E com esse grito que parece que levou toda a força que Ossent ainda tinha, Yragos a soltou no muro em que ela já tinha se equilibrado para segurar e manter-se em pé. Ele pegou a caixa com um de seus braços e desatou a correr pela rua.

Primeiro quarteirão. Segundo quarteirão. Ele se sentia mais confuso a cada passo. Quem era aquilo e por que ele sentia que não era de Ausmus? O que tinha naquela caixa? Por que Ossent agiu daquela forma? O que quer que fosse que estivesse na caixa, estava balançando bastante na corrida. Não parecia nada mais do que um pacote pequeno de ração de comida e Yragos naquele ponto já estava cansado de levar algo que ele nem sabia o que era. Não entendia porque Ossent tinha sido tão incisiva com o não olhar para dentro. Ia dar só uma espiada e continuaria indo para a sede. Quase estava lá. Não ficava tão longe de sua casa… Era uma corrida tão tranquila…

No terceiro quarteirão Yragos não pôde mais segurar a curiosidade. Parou de frente para um beco, entrou na beirada e olhou para a caixa. Ela era áspera, em um formato retangular, meio verde e bege. Havia uma abertura na frente dela, uma fresta com uma grade. Yragos pegou a caixa com as duas mãos e virou a fresta para seu rosto e…

Continua.

A chuva é muito molhada. Adoro chuva.

Nascimento do Universo de Ausmus

Antes até mesmo de existir qualquer coisa, existia a Ordem. Antes do tempo, das cores, das curvas, das pontas e formas. Não havia energia ou equilíbrio. Não havia nada e também tudo. Havia apenas Ordem. Ordem era algo. Ordem era singular e regrada. Era a lógica pura em contínua ação, criando e traçando a física como jogos mentais de uma mente fértil de criança que não existia. Nem mesmo a imaginação. Somente existia Ordem. E, ao passo em que era singular, pois singular também era sua completude, era além do perfeito, pois limites não poderiam mensurar suas capacidades. Em suas análises contínuas e eternas, eventualmente houve uma dissonância, uma disparidade, uma desassociação que fez a Ordem entrar em choque. Desse choque, rachaduras começaram a existir e a Ordem começou a se desfazer em farelos, cacos, pedaços que eram engolfados pelo novo nada ao redor. O Nada, por outro lado, cresceu por entre esses cacos, como um líquido viscoso escorrendo na superfície de um vidro. Assim nasceu o Caos.

Errático, instável, imprevisível. O Caos não calcula ou age – Caos simplesmente é, simplesmente surge. É a resposta à Ordem, a sua antítese, ou melhor: a resposta, a dúvida, a afirmação, a negação e a conclusão. 

Com o nascimento do Caos, a Ordem perdeu um pouco de sua força, enquanto que o Caos se aproveitou do espaço dado pela Ordem para avançar pela eternidade afundo. A cada espaço conquistado pelo Caos, a Ordem perdia, como o crescimento de uma rachadura que não poderia ser impedido de nenhuma forma. Quando o Caos se tornou equiparável com a Ordem, esta já estava preparada e afundou-se no Caos simplesmente – porque assim planejara. Ordem não tinha mais como impedir o Caos, mas também agora as nuances e possibilidades de seus cálculos eram muito maiores considerando o espaço de nada, tudo, infinito que vos foi dado. Ao cair dentro do nada, Ordem começou a se dissipar e se transformar em resíduos e se tornou a própria Lógica. Como Lógica, ela agora poderia Ordenar o Vazio do Caos, poderia trazer controle e equilíbrio do nada. Transformá-lo finalmente em algo… Mas a falta de consciência de ambos não direcionava suas ações, então ainda não havia um “algo” para a Lógica trabalhar. Foi o cálculo de Ordem. Seus resíduos friccionaram com o Caos criando a Matéria. A Matéria e a Lógica, as duas nascidas de Ordem e do Caos, buscariam transformar o Caos em algo diferente que simples nada. A Matéria, ao existir, chocou o Caos, que dilatou seu corpo infinito ainda mais numa explosão tão intensa e impossível que jamais um ser humano poderia sequer entender sua magnitude. Essa explosão foi o suficiente para que a Lógica e a Matéria pudessem assimilar as funcionalidades do Caos e também foi o suficiente para que o Caos criasse o que a Lógica e a Matéria precisavam para começar a desenvolver o universo: a Energia. Assim, a Energia, a Matéria e a Lógica trabalharam juntas criando o universo.

Essas três nunca foram seres. Todos estes eram além da própria existência, transcendendo perguntas sobre “Pensar” ou “Saber” e suas funcionalidades eram seus cernes. Entes da criação, poderosos e imperiosos, a razão não poderia segurar tamanho poder irrestrito, transformando tudo em sincronia dada pela Lógica, com intervenções contínuas do Caos reagindo  ao desenvolvimento contínuo de mutações dentro dele. Dentro dessas intervenções do Caos, fez-se possível existir vida no Planeta Ausmus. 

Como existe magia nesse universo? Qual a história de Ausmus? Questões muito interessantes para serem respondidas tão rapidamente.

O fim e o início :(:

Eu completei o desafio! Para quem não sabe, eu estava num desafio de escrever uma poesia por dia com um tema específico dado por um artista do twitter que eu admiro muito (@Pitchcanker). Obrigado a todas, todos, todes que acompanharam. Eu mesmo não acreditei que consegui escrever e publicar aqui no blog cada texto em cada dia. 

Para o futuro eu tenho novos planos! Infelizmente vão ser mais raras e espaçadas as poesias, mas eu queria focar em um projeto pessoal muito importante para mim que está martelando na minha cabeça: 

Eu estou trabalhando em um mundo pessoal chamado Ausmus. Um mundo com humanos, mas com uma sociedade diferente. Lá em Ausmus, a tecnologia e a natureza caminham juntas. As guerras cessaram há muitos séculos e agora as múltiplas sociedades decidem entre si através de grupos, conselhos, assembleias e afins. Os cidadãos comuns só vivem continuamente suas vidas, com as pessoas que aprenderam a viver, com as funções que mais consideram agradáveis, no entanto ainda há muitos mistérios nesse mundo e alguns problemas endêmicos desse mundo autogerido.

Enfim, é só umas coisas que eu pensei até aqui. Já mandei um texto aqui faz algum tempo e planejo mandar um semanal sobre esse mundo que eu estou criando, para dar forma e eu fixar bem o que eu quero criar. Como é algo muito caseiro, pessoal e não profissional, eu peço desculpas de antemão caso a história mude com o tempo. Já mudei muitas coisas desde que eu comecei a escrever.

Enfim, novamente muito obrigado por terem se juntado aos meus seguimores ^^. 

Eu vou continuar escrevendo, podem acreditar.

👍👍👍👍👍👍👍

Dia 14: Optimistic

Ao olhar para as ruas, caos.
Pessoas lutando contras as outras
até mesmo na luz do sol
por nacos de comida suja.
Procuremos por respostas
e estas estão na formação e na história!
Séculos de ignorância com o povo.
Séculos de arrogância contra nós.
Refletindo onde está a educação,
princípio formador dos brasileiros?
Não, uma grande piada (risos)
ao chegar às escolas,
adolescentes analfabetos
professores negligentes
organizações educacionais disruptivas
problemas que justamente existem
para contrapor nosso futuro brilhante
quase como de propósito.
Impossível ser otimista no Brasil.

Dia 10: Disappointed

No dia em que você o fizer
Fizer aquilo que prometes
Olhe para frente.
Siga seu caminho.
Entenda que é um ponto final.
Porque se você fraquejar,
se cansar, se duvidar ou até parar
por um segundo que seja
Você saberá que estou aqui.
Lembrará de minha existência.
E nesse momento
você vai desistir
chorar por mim, pedir desculpas
e eu?
Eu vou dizer o que tu disseste
“Você não é o suficiente para mim”.

Bravado ~

Ouvi a música “Bravado” de Lorde e fiquei pensando sobre meu Bravado. Meu grito de guerra. Minha vontade interior. Talvez o encontrar seja justamente sobre se entender, sobre ao mesmo tempo criar e explorar o que já existe dentro de você. Um baú de pólvora esperando a fagulha.
Essa fagulha já existe.

Toda minha vida eu pensava
Que um dia minha hora chegaria
Mas eu estive mais ocupado
Me preparando para a grande chegada
Não construí sua estrada
E agora não sabia mais se viria

Mas a maré finalmente virou
Os ventos sopram ao meu favor
Os fios do destino ganham entorno
Não tenho entusiasmo pelo retorno
Estranho demais pensar meu corpo
Exposto, num palco pensando a dor
Dolorido, expondo o pensador (colonizador)
Eu não sei se quero para mim isso
Uma vida inteira de professor

Os olhos ávidos por atenção
As armas são apenas o piloto na mão
A única coisa que me agarro
Para manter minha sanidade
É a minha determinação

A sala está cheia e barulhenta
O respeito é de amigo, parceiro
A reclamação é briga, esquenta
Situação de discussão não é passageiro
Eu não quero lidar com criança o dia inteiro

Meu grito está nas pequenas criações
Gosto da independência de suas ações
Vejo de bons olhos todas as questões
E outros pontos que eles trazem consigo

Vejo no aluno um amigo perdido
Aquele que você não fala faz anos
Que faz sempre para você pedidos
Mas que você sabe que para fazer acontecer
São necessárias organizações, novos planos

Sei que é uma forma ruim de pensar indivíduos
Mas é a única forma que me impulsiona a ir
Talvez tudo que fale se torne meros resíduos
Eu não me importo contanto que faça algo fluir

Eu posso tornar esse o meu chamado
Transformar tudo ao meu redor que for tocado
Se tivesse certeza, moveria todos meus recursos
Viria com outros olhos! Traçaria logo o curso!
No entanto, não sinto aquele arrepio
O calafrio despertando na ponta do espinhaço
Meu braço não vira o leme do barco
E o mar revolto me impede de atracar nesse espaço

Então qual será o meu grande chamado?
Por deus, eu não aguento mais a calmaria
O caminhar a esmo sem algum guia
A resposta para qualquer pergunta bastaria

Resposta cujo entendimento depende de mim
Se não atingi-lo, eu estagnarei bem aqui
O grande espectro da expectativa de me definir

Acho que essa foto minha tentando fazer uma pose e absolutamente tudo dando errado é a melhor representação desse texto.