São os dois segundos
Antes de apertar o gatilho
Dois segundos de martírio
Ante uma alma sem futuro
Meus pés estão em cima do muro
Olho pra baixo e como é alto
Sigo passo a passo em cima de tudo
Ando pra sempre,
Não posso cair pros lados
É um vinho fechado
Em meio ao léu
Ou se quebra a garrafa
Quebrando a mágica do álcool
Ou a deixa intocada
Proibindo o mundo do sabor do fel
É o jogo rápido na rua
Pega celular, carteira, chave
Pega tudo em uma mão única
Olha ao redor, o medo na carne
Respira forte
Torce para não aparecer nenhum mal
Nenhuma alma impura
A porta abre
Você corre para dentro de casa
O conforto que quase te mata
Mesmo não existindo ameaça nenhuma
O túnel está se fechando
As paredes estão molhadas
Apesar de estarem me esmagando
Eu passo escorregando pelas beiradas
Eu estou perto da chegada
Mas nunca a alcanço
Eu ando, ando, ando e ando
E nunca chego na faixa
As cortinas estão se fechando
Venham aplaudir seu palhaço
O picadeiro não perdoa atraso
E não vai voltar próximo ano
O fim do espetáculo é certeiro
Meu amor, não me verás por inteiro
Se o mosaico sempre foi meu eu verdadeiro
Peço desculpas para minha mãe
Peço desculpas ao meu herdeiro
Essas palavras mostram o que urge
Surgindo das trevas
Me devora como um abutre
A sombra já era
E ainda há quem me importune
O fim é inevitável
Por que não assume?
Por que não assume?
Está na hora de se despedir
Beije seu amor no rosto
Deixe-o partir
para longe de seu corpo
Será grande o esforço
Mas ele precisa ir