Inimigo inigualável

Acordo ou durmo
Já não tenho certeza
A dura realidade fatia minha cabeça
Comprometendo meus pensamentos
Fazendo com que eu enlouqueça

O tempo é uma piada de mau gosto
Levanto quando me é bem proposto
Escovo os dentes, lavo o rosto
Olho o espelho, vejo o desgosto
Vejo a agonia abafada na garganta
Vejo as nuvens que obstruem a mudança

Silencio as vozes do medo
Não tenho mais forças para vence-las
Deito em meu leito
Eterno desfecho
E evito ao máximo percebe-las

A janela anuncia a claridade
A janela anuncia a escuridão
Elas mudam à plena vontade
E não me dizem muito não…

Eu continuo na roda da tortura
Seguindo uma rotina de destruição
A minha maior aventura
É afastar quem me dá a mão

Levanto de novo e de novo estagnado
Uma hora ou um dia passaram
A fome se devora sem nem um prato
O vazio enche minha mente
Comidas nunca alimentaram o ego
Fragilizado

E há atividade para cuidar
Ler, escrever e me esforçar
Nah, vou deixar tudo pra lá
Já não tenho nada pra provar
E, se tenho, estão certos em duvidar

E para quê lutar??
Tudo não parece fazer sentido
As cores perderam o tom
Escrever sobre sentimentos é cansativo
É melhor (me) largar de mão

Deixa definhar na escuridão
do quarto
Não existe mais solução
pro meu caso
Acho que é algo psicológico
mas não me trato
Por que não fala logo o óbvio?
se faz de coitado
Prefere a piedade dos outros
e ser maltratado
Ao invés de apontar monstros,
tornou-se um

Inimigo inigualável

17 – Destruição

Desfaço meus planos
Disfarço meu interesse
Passam-se os anos
Fiz isso já muitas vezes

Destruo toda rotina
Os planos não dão certo
Ah, o erro é minha sina
Dessa vez foi tão perto

É sempre a mesma história
Como a qualquer um, simplória
Nada de novo sob o céu
As nuvens o escurecem como véu
Transformando a escória
Fazendo possível deles sonharem
Como um futuro mel
Ah, mas se eles soubessem…

A agência é uma mentira
Sei o caminho que cheguei aqui
Ele não foi descoberto por mim
Já havia uma trilha
E, no fim do dia, até eu me perdi

Eu não consigo fazer dar certo
Começo bem com romance ou estudo
Tudo é positivo em um segundo
No outro, completamente obscuro
Me vejo olhar um deserto

Um deserto por solidão
Um deserto de compreensão
Assim eu sigo, sozinho
Assim eu tenho, e definho

O engraçado é que sou eu
A culpa é toda minha
Eu que não fui um Romeu
Eu que não sabia a linha
Não sabia como me definia
Toda responsabilidade não tinha
Destruo-me todos os dias