30 – Demônio

Eu acredito muito em histórias
Que nós nos tornamos o que vivemos
Todos nós, dos funkeiros aos emos
Hora após hora todas são nossas

São nossas escolhas
Mesmo sem chance de escolher outras
São nossos erros
Mesmo que não saibamos os defeitos

E são tantos…
Mas inúmeras são as vitórias
De conseguir um novo emprego
De comprar sua nova jóia
Também temos esse direito
De comemorar nossos acertos
Certos que nem tudo é um mar de rosas

Eu (particularmente) pego tudo para mim
As derrotas e vitórias
Dos erros mais escandalosos
Ou chinfrins
Às grandes vitórias com gosto de carmesim

Ao passar dos anos…
Você acaba ganhando saberes sobre algo
Te tornando quase inumano
Quase como se soubesse de segredos
Nunca revelados
Quase como se te concedessem poderes
Como se pudesse modelar o que acham
O que pensam
O que falam

O convencimento é uma ciência há eras
Mas talvez seja mais um dom inato
Que pode ser cultivado com determinada
Destreza
Se souber como fazer, é claro

A moral se dobra perante você
Ao passo em que a realidade te encontra
Terá que reconstruir as regras para viver
Suas regras não devem chegar prontas

Fará o que for preciso para sobreviver
Nada de julgamentos errôneos sobre o que fez
Os caminhos todos você que trilhou
Responsabilidade sua para aprender com eles
E saber o que de você restou

Comigo a história foi parecida
Conheci amores
Sofri e ganhei feridas
Aprendi que dores não são bonitas
E que flores não signicam
Que minha presença é querida

Aprendi então a usar meu dom
E encantar homens por diversão
E é muito divertido tê-los em minhas mãos
Dizê-los sim, mas muito mais o não

Homens são cachorros em busca do perdão
Eles dão a pata e latem para chamar atenção
Se você descobre isso é meio passo andado
E ao invés de sofrer por eles, consuma-os
E então largue-os de lado

Sinta o poder embriagado pelo tesão
Deixe-os te amar e, mas só de longe
Alimente a fera com paixão
Mas sempre a deixe com fome

Assim ela geme sempre seu nome
Ele sempre lembra quando sente fome

Cristianismo errou muito feio
Veem os demônios e têm tanto medo
Mal sabem que aquelas imagens estão erradas
E que o demônio vive em suas estradas diárias
E se alimenta de seus desejos

Eles não são uma figura imaginária
Coitados, rezando todos os dias por nada
Nós somos os demônios das histórias
Cada um de nós vivendo aventuras imortalizadas
Vivemos os dias como heróis em busca de glórias
Que outrora seriam inalcançáveis

Eles são os próprios demônios
Em busca de sentimentos egoístas
Clamam a deus, se fingem altruístas
Para julgar quem somos
Cagando regras que ninguém precisa

Abençoados por demônios?
Não me faça rir
Quem além de um Incubus
Faria você sorrir e se sentir assim

Sim, eu sou um destes
Um demônio que entende seus poderes
É que existem leis e normas ocultas
Que só são feitas para impossibilitar suas lutas
São regras sim, regras de merda
Regras que só servem para te prender
Em troca de uma vida eterna
Como escravo do celestial
Revestidas de “moral”

Eu sou o inferno na terra
Eu sou o fim
Você concorda que é certa a minha guerra
Então não questione meus métodos
Pois existem sempre fins