Primeiro encontro

Era um dia chuvoso
Eu tinha estudado um pouco
Estava atrasado como sempre
Poderia não ser ruim, de repente
Talvez achasse charmoso

Pego um Uber para agilizar
Você já me esperando no lugar
Era dia de jogo do Bahia
Da janela do carro, uma sintonia
Vejo o time fazer um gol
E considero um sinal de sorte

E quem diria que um dia cinza teria tanta cor?

Chego atrasado demais para o filme
Esperamos a próxima sessão
Você diz que horários indicam uma posição
E eu, atrasado profissional
Me sinto na contramão
E a timidez e vergonha se unem

Mas você quebra o clima
Conversamos sobre tudo
Eu rio das piadas desmedidas
Ele me deixa seguro
Me faz pensar se já me senti assim
Algum dia

Finalmente o filme chega
Era o documentário da Rita
Assistimos atentos
Comentamos na saída
Vendo suas belezas e fraquezas

Decidimos conversar mais um pouco
Ficarmos no telhado do Glauber
O céu pelas nuvens envolto
A fria garoa caindo no pescoço
E juntos, nos beijamos de novo

Voltei para casa
A cabeça em brasa
Não acreditava em tudo aquilo
Eu achei o que queria em um menino

Paixão nascente

O cheiro de perfume em seu cangote quase me faz esquecer do mundo

Faz calar profundo
Para o tempo em que estamos
Me leva para outro mundo

Seu sorriso é precioso
Eu fico como Smeagle
Meio doido
Tentando preservar momentos duradouros

Ah, e seu olhar doce e carinhoso
Tão fofo que eu olharia de novo
E de novo e de novo
Olhando curiosos olhos a mim
Eu, parado, admirando sem querer fugir

Fico muito bobo quando eu percebo
Que passou um mês,
Passaram atrasos
Passaram anseios
E eu tive a sorte de ter você
Em meu meio
A sorte de dormir contigo
Por inteiro

Que eu tenha sido abençoado por Anteros
E todo Eros que sinto seja eterno
Que sabor que explode na boca
Com a beleza de mil sóis
Eu, com a mente louca,
Escrevo hoje isso sobre nós

O tempo não me permite ser perfeito
Erro em tempo, mas erro direito
Se não fosse o atraso de Rita Lee,
Como eu poderia ter certeza
que eu queria estar contigo ali?

Os outros atrasos não têm desculpa
Eu vou tentar melhorar mesmo
Às vezes é o tempo que não ajuda
Ou sou meu eu querendo agarrar o mundo inteiro
Sem receio
Sem plano
E sem esquerdo ou direito…

Talvez eu seja muito bobo mesmo
Que me esparramo no chão para sentir o desejo
Mas eu quero que você saiba
Ao passo que essa poesia se acaba
Que me coração balança quando te vejo