Seu cheiro é meu perfume
Seu toque que me veste
Seu beijo me consome
Sua voz me diverte
Seu olhar me acompanha
Seu peito me aconchega
Seu ouvido me segue
E sua boca que me beija
Seus dedos que me guiam
Seus braços me protegem
Seus pés abrem caminhos
E andam para onde querem
Seu calor me faz suar
Sua carne me alimenta
Seu ardor me sufoca
Me desperta
Me orienta
Suas palavras me acalmam
Suas palavras me abravam
Suas palavras me abraçam
Suas palavras me calam
Sua saliva me derrete
Sou o doce que você precisa
Seus dentes me mastigam
Sua língua me instiga
Seu arrepio me contagia
Seus pêlos me deixam viciado…
Hipnotizado…
Como feitiçaria…
Seus movimentos de dança, meus passos
Suas saídas são meus espaços
Como o sol brilhando para a terra
Como pássaros na atmosfera
Como um descanso depois de um dia árduo
Seus roncos são meus conselhos
E sua tremida é minha piada
E meus sonhos são verdadeiros
E meu acordar é voltar para casa
E nossos agarrões são o meu respiro
Nossos momentos são o meu delírio
Nossas escolhas são o meu destino
E nossos afetos são os meus amigos
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11 – Fé
Eu me toco
Eu me vejo
Sinto meus dedos no espelho
O vento passa pelos meus pêlos
Eu sinto meu corpo
Mas eu não vejo por dentro
Não sei se existe
Não vejo meus sentimentos
Não toco, não vejo
Mas eu sempre me lembro
Lembro do que disse
Palavras voando ao relento…
Não são reais,
Não servem de nada
Preencho minha taça
Líquido viscoso e gasoso
Ele escorre da garrafa bondoso
Me esquenta e me agrada
As sensações marcam a pele
Fica quente, vermelha
Fica fria, fico leve
O álcool me submerge
O que seria eu, além de deus?
Dividido entre a carne e o sentimento
Entre o agora e o adeus
A carne e o pensamento
O engano e o querer
Respostas para o vir a ser
Não sou um ou outro
Sou ambos, para seu desgosto
Sagrado e profano
Dono de um paraíso só meu
Depois da festa, desato os panos
De confete
Para descansar no sorriso de Romeu
E as elucubrações céleres
Que me arrastam do destino certo
Me deixam um pouco inquieto
Fazendo da realidade, hipérbole
E da imaginação, concreto
Pois eu que fiz a luz
Fiz os carros, fiz as terras
E em mim que tudo isso reluz
Ganha sentido, afeto
Vira moderno, se encerra
Sim, eu sou deus
E o mundo não precisa saber meu nome
Já mataram tantos como eu
E os que se gabam… Seus nomes somem
Sim, eu sou cultuado
Sou lembrado por amados
Para uns, o não nomeado
Para outro, um etéreo nunca amargo
Busco essa verdade a anos
Por debaixo do tapete
Por entre os panos
Estava procurando em outros deuses
Procurando alguém para ser meu âmo
Não reconhecia meus poderes
Mas reestruturei os planos
A imaginação existe enquanto eu existir
Ela espelha a minha realidade compartilhada
Eu sou o deus de mim
Deus da verdade ilimitada
E, quando eu tiver em meu fim
Diga a todos que eu morri por nada
_____________________________________________________
Esse ano eu passei muito dele esperando um deus, querendo assumir alguma fé. Talvez exista uma força espectral que dê um sentido nas estrutura do universo, quanto que nós decalcamos sua inteligência. Mas isso não significa que essa criatura quer nosso bem ou mal. Acho que nós devemos ser por nós. Não existe outra pessoa além de nós mesmos no fim do dia.
E a referência do final foi porque o cristianismo merece acabar ou ao menos ser menos considerado. Como algo importante.
10 – Show de bateria
Acordo cedo com o sol
Mais um dia lindo
Levanto da cama sorrindo
Como um peixe mordendo o azol
Café da manhã é bem rápido
Isso quando dá tempo
Comer uma besteira é mais prático
E entra mais no orçamento
Me arrumo de cima a baixo
Penteio os cabelos
Me encho de cheiros
Esperando ser notado
Contagem de itens na mochila
Faço uma lista
Chaves
Roupa extra
Carteira de motorista
Celular que espelha
E gatilhos à parte
Chego na empresa
Ninguém está à vontade
Todos odeiam de verdade
Mas não há maldade
Só negócios, ataques, defesas
Me sento e vejo o tempo passar
Uma, duas, cinco horas
Tento não desassociar
Espero ir embora
E desato a chorar
O carro se dirige na estrada
Os olhos marejados
A fuga não pode ser planejada
Responsabilidades desafiam tal ato
Frustrado e confuso
Eu aumento o som do carro
Afasto os pensamentos obscuros
E grito as músicas bem alto
Por um momento
Aquele pequeno momento
Eu não sou mais um funcionário
Eu curto minha vida adoidado
Não tem que julgue este coitado
E, se tivesse, não teria me importado
O carro se conduz pela pista
Mudando de música
Freando quando precisa
Sinto no cabelo a brisa
Carro me deixa na esquina
E aceita o plano proposto
Paro no posto
Compro uma bebida
Sigo o caminho
Menos tortuoso
Até que o carro para
Chegou onde precisava
Uns tapas no rosto para tirar a mágoa
E meu único amigo me deixa em casa
Entro, converso, faço até piada
Beijo, abraço, tomo banho
E no banho eu dou uma descansada
“Essa vida não tem ganho
Ou eu me encaixo na palhaçada
Ou eu me torno um nada”
Pensamentos estranhos…
Pensamentos comuns de banho
Quero deitar em minha cama
Dormir e não lembrar do dia
Das pessoas mal humoradas
Do que faço por quem me ama
Da violência apenas assistida
Os olhos fecham no breu da meia-noite
Como um véu
Cobrindo em preto os montes
Eu me deixo flutuar no céu escuro
Encontro a bebida que tanto procuro
A Cicuta brilha no luar eterno do mundo
Acordo cedo com o sol
Mais um dia lindo
Levanto da cama sorrindo
Como um peixe mordendo o anzol
9 – Manga de Camisa
Eu cortei minha manga fora
Um pedaço já estragado
Comer seria insensato
E tenho comida de sobra
Eu cortei minha manga fora
Para começar o trabalho
O gosto na boca amargo
Chego e saio bem na hora
A manga do trabalho duro
Aquela que causa revolta
Tão odioso amargo fruto
Mesma fruta tão desejada
Seu doce derrete na boca
Quem a prova não a prepara
8 – Gaiola/Prisão
A violência está na frente
Só bastava eu falar
Mas eu não sei estou certo
Eu me assusto
E quando decido…
O tempo passou
Já deixei pra lá
A violência dita
A violência marcada
A violência sentida
E eu, calado
Sem mordaça
Só calado
Nem o ar escapa
A paixão está latente
Ela arrepia os pêlos
Devora minha mente
Derretendo com seu calor
Esse calor é corpulento
Uma lava que consome tudo que toca
E me toca te toco por dentro
Te sua me vicia na hora
Me cansa te alcanço do meu jeito
Me perguntando se faço direito
Essa lava, esfria em um momento
Tornando pedra todo esse acontecimento
É lindo, é forte, tem sentimento
Eu te olho, eu me importo
Mas as palavras…
Elas ficam para dentro
Palavras fáceis de escrever
Difíceis de serem ditas
Engasgam na saída
Se perdem do âmago do ser
Não podem ser atingidas
E quando o saber invade
Conhecimento de pura luta
Com pouca vaidade
Palavras que são astutas
E podem levar a alguma dignidade
Conhecimento que liberta
Que torna o engraçado, duvidoso
Que separa os certeiros dos tolos
Os cordeiros de quem faz a festa
Esse saber que te inclui nessa
E não exclui por ser oneroso
Não tem vergonha de se é escandaloso
Conhecimento que desperta
O teste vem bem na sua testa
Vem do alguém que você menos espera
Vem do sacana que você já espera
Você não fica à vontade
Mas também não nega
E a situação se multiplica
Mas pior que tá… Não fica?
Engraçado é relativo a quem?
Se você não gosta daquilo
Por que então que “magicamente” vem?
Hipócrita das mãos escuras
Sangrando das palavras ditas ao sol
Supostamente astutas…
As mãos, ásperas que só
A língua, seca de dar dó
A consciência…
Vazia.
Ninguém te pede defesa
Não existe justiça
Existe a certeza
E existe hipocrisia
Minha cabeça girando com fatores
Com morte, vida, ação, amores
Não quero ser inimigo da diversão
Mas me incomoda nunca dizer um não
Estou numa prisão
Mas o lado de dentro é grande
Ele cabe amigos, amores, amantes
Nele não cabe canções
Se sair, enfrento a solidão de um homem
Se fico, a companhia de idiotas
Se saio, me prendo em outro horizonte
Se fico, se saio…
Acho que não mais importa…
Não escolho, de fato
Não escolho que me olhas
Não escolho minha casa
Não escolho que caminho contornas
Não escolho nada
Se deixo escapar um grito, é um favor
Se corro ou se ando, nada ameniza a dor
Estou dentro de mim
Berrando em plenos pulmões
Eu quero sair daqui
Quero destruir casas
Quero criar imensidões
Mas os olhos abrem
A boca mexe
E os pés sabem o caminho a seguir
Eu observo o mundo de longe
Longe…
Bem dentro de mim
My body is a cage
Tha keeps me from living the life I own
And my mind holds the key
7 – Coração
Meu coração calou profundo
Não respondeu nem de quem é
Preferiu cair no mundo
E ficou fora só quem quer
Mas eu não vou mentir
Que me fez bem assim
Viver livre e só pelo prazer
Me arrumo
Me ponho no rumo
Mas vejo você…
Meu coração
respondeu de primeira
Bateu tão forte,
Até me deu uma suadeira
E eu desci
logo a primeira ladeira
Para fugir
Que esse amor não é brincadeira
Ô rapaz, favor
Vem cá
Era só transar
Coração, que cale já
Não vou apaixonar
Envolvimento foi profundo
Sinto na sola do pé
Quando ‘cê samba eu tô no fundo
Desejo e saiba quem quiser
Eu danço pra ti
E quando chega o fim
Cansado eu volto a dizer
“Que caralho
Eu só queria ele
Pra me endoidecer”
E eu vou correr
Perco as estribeiras
Quando você
passa por mim
Eu vejo estrelas
Mas a resposta
Vem é da cabeça
Que aquele tempo Acabou
por conta das suas besteiras…
Ô Rapaz,
Deixa pra lá
Quero é me amar
Meu coração,
Vai se fechar
Mas não vou me machucar
____________________________________________________________
Era pra ser uma paródia da música “Coração Vagabundo” da Mc Thá. Tem o ritmo da música e rimas parecidas, mas tá do meu jeito. E acabei contando uma história. Talvez ela seja real kkkkk. Enfim.
6 – Reflexão
Em janeiro eu fui ingênuo
Me atribulei com atividades
Nao sabia o que estava fazendo
Não via nenhuma maldade
Em Fevereiro o mundo explodiu
Intenso como o sol de verão
Foi carnaval no Brasil
Mas os dias passaram em vão
Em Março começou o surto
O tempo passando rápido
Eu sem mover um músculo
Pávido
Abril passou dolorosamente
Os cheiros de amores como café
Amargo, energizado, quente
As vozes me mantinham de pé
Me questionei se tinha alguma fé
Naquele ponto poderia ser qualquer uma
Maio foi novos sabores
Novas pessoas, novas visões
Maio foi um mês de puras dores
Novos problemas e decepções
Junho, o mês do estrago
Ansiedade, medo e frustração
Andando juntas mão a mão
Eu me desvencilhando do buraco
Procurando um abraço bem apertado
Procurando sexo sem paixão, coitado
Mas nem isso eu acho
Como Zuko, o destino não está claro
E termino só, como sempre foi
Apenas minha sombra ao lado
Julho de redenção, fortuita
Consigo caminhar a conta gotas
A dor ainda fica por muita
Mas nascem também emoções outras
Profundas
Agosto, um ouro de tolo
Escrever se torna um absurdo
E o trabalho fica perdido no processo
Tenho medo das palavras
Medo de meu regresso
Um novo surto me abala
Então largo tudo e ando solto
Com uma mão no bolso
Pensando em não pensar em nada
Setembro, o doce é um veneno
Acredite em você mesmo
Não pense pequeno
Inspiração? Olhe pro espelho
Mas não se convença por inteiro
Seja ágil como o vento
Rápido, quieto, incontrolável
Quem sabe a dor se torna suportável
Talvez você encontre poder no diálogo
Eu sei que ainda está confuso e doendo
Mas você não é mais tão fraco
Outubro, estamos aqui
Não paramos um dia
Sempre um passo a seguir
Responsabilidade que não cumpri
Outras que estão cumpridas
A racionalidade me guia
Sem ela, eu me perdi
Sentimentos nunca serão tirados de mim
Sinto muito, sou assim
Aventuras que me chamam
As tarefas que eu adianto
O mundo não para ao me ver cair
Isso também eu entendi
Eu não sei o que me aguarda
Não sei se vejo um futuro
Pela primeira vez na vida,
seguro a espada ao invés do arco
Luto de frente contra demônios do passado
Às vezes atolado no barro
Às vezes líder de um Estado
Não sei se vejo um futuro
Tateio as paredes enquanto ando
Ando e faço curvas no escuro
Cubro minhas mãos quando sangram
E fico sem saber que direção procuro
Mas não faço mais o que me mandam
Acho o labirinto mais seguro
Reflita, reflete, respiro, impede
Conflito, compele, conspícuo, compete
Não sou um ganhador
Não sou sequer um jogador
Eu sou um fazendeiro
Colhendo as mudas
Regando o dia inteiro
Comemorando as frutas
E dormindo cedo
Eu sou um leitor de livros
Que se irrita e se emociona
Com o personagem favorito
Aquele que escolhe o menos querido
E torce para que tenha um fim bem quisto
Eu sou um pesquisador
Eu colho e analiso meus dados
Observo e duvido dos fatos
Eu sou quem trabalhos inspirou
E mesmo assim eu sou ninguém
E sou o público consumidor
Sou uma senhora ou um senhor
Não sirvo para ser manipulado
Jogado de um lado pro outro
Ser mexido como uma caixa de biscoito
Consumido para um jogo de retalhos
Esquematizados
Não é de meu feitio, não é o meu caso
1 – Sol
Deixe o sol brilhar…
A lagarta comeu a planta
A planta do jacarandá
Mas a árvore tinha muitas folhas
E o sol continuou a brilhar
A pedra quebrou no monte
Causou uma terrível avalanche
Por sorte, caiu no mar
E o sol continua a brilhar
Quis ir pra praia hoje
Céu azul
o sol a brilhar
Meu amor no buzu
Melhor não poderia ficar
Mas o céu cinzou do nada
E a chuva caiu, desajeitada
Toda torta só pra nos molhar
Mas, mesmo com o cinza do céu
Ou a água que pudesse pingar
O sol estava brilhando
Esperando a nuvem passar
Meu pai construiu uma prisão
Bem parecia uma longa casa
Um labirinto sem volta ou perdão
Sem teto, o sol passava
E eu estava estudando
Estava nervoso, no meu canto
Digitando sem parar
Olho pela janela e lembro
O sol vibrando no fim da tarde
O céu cheio de cores
A natureza fazendo arte
O sol, é claro
Protagonista
fazendo sua parte
Foi dia de briga
Corri até quando não aguentava
Respirei fundo
Tentei acalmar minhas passadas
O sol na cabeça doía a casca
E o calor nos pés queimavam como brasa
Violento, mas resoluto
Ele assistia sem passar nada
Assistiu meu luto
Assistia minha raiva
Perto o suficiente
Para iluminar a caminhada
Longe o suficiente
Para me deixar na mágoa
Mas, independente de minha opinião
Sentimentos
Desejos
Obsessão
O sol brilhava
Hipnotizando quem se interessava
Transformando amor em ardor
Eu o reconheço de vidas passadas
Eu corro para alcança-lo
Me estico por completo
Pulo acima do mar aberto
Estico minhas asas
Voo, por cima do mar Egeu
Voo, porque ele tem de ser meu
Voo, pois não me esqueço dela
Voo, uma nova chance me espera
De cima eu vejo eles pequenos
De baixo, o pequeno sou eu
Subo até perde-los de vista
Me perdendo por inteiro
O que dói meu peito
E volto a ser artista
O sol se queixa de minha chegada
“Faça com que eu seja lembrada”
E caiu de lá de cima
Como um cometa-escriba
Com a cauda desenfreada
Recorro a minhas rimas
Palavras usualmente sem graças
Caio em meio a minha desgraça
E o sol sorri de lá de cima
Continuo a minha jornada
_____________________________________________
Sol é um assunto complicado pra mim. Foi difícil escrever esse.
31 – Desfecho
Sou o fim e o começo
Eu nunca desvaneço
Vários Ícaros foram escritos aqui
E todos eles continuarão a existir
Vivendo suas vidas dentro de mim
Eu sou a diaba do prazer encarnada
Eu sou a solidão conformada
Sou o fim do mundo em vão
Eu sou você, sou eu emais quantos virão
Sou a negação do amor ainda vivo
Sou eu sou a bala atravessando este maldito
Estou sendo o desnudar da alma
Em toda sua horriridade
Corporificada
Sou a completa pira sem noção
Sou a resposta para qualquer pergunta
Mas sem solução
Sou o mais genérico possível
Sou único, hereditário e invencível
Eu sou as merdas que falei dos outros
Sou o dia bonito
Natural para todos os gostos
E, quando não bonito, me animo
Pois sou o dia de ficar em casa
Escondido
Sou a preguiça que me domina
Sou a conspiração que você ouviu
Na esquina
Sou o mais inventivo o que posso ser
Eu sou eu, e você vai ser você
Você pode tentar, mas nunca vai ter
Sou o diabo e o demônio
Sugando a alma de seu ser
Sou o conhecimento profundo
Eu sou magnífico
E eu sou a poesia escrita cada dia
Sou eu, o final desse mês
Eu sou também a despedida
30 – Demônio
Eu acredito muito em histórias
Que nós nos tornamos o que vivemos
Todos nós, dos funkeiros aos emos
Hora após hora todas são nossas
São nossas escolhas
Mesmo sem chance de escolher outras
São nossos erros
Mesmo que não saibamos os defeitos
E são tantos…
Mas inúmeras são as vitórias
De conseguir um novo emprego
De comprar sua nova jóia
Também temos esse direito
De comemorar nossos acertos
Certos que nem tudo é um mar de rosas
Eu (particularmente) pego tudo para mim
As derrotas e vitórias
Dos erros mais escandalosos
Ou chinfrins
Às grandes vitórias com gosto de carmesim
Ao passar dos anos…
Você acaba ganhando saberes sobre algo
Te tornando quase inumano
Quase como se soubesse de segredos
Nunca revelados
Quase como se te concedessem poderes
Como se pudesse modelar o que acham
O que pensam
O que falam
O convencimento é uma ciência há eras
Mas talvez seja mais um dom inato
Que pode ser cultivado com determinada
Destreza
Se souber como fazer, é claro
A moral se dobra perante você
Ao passo em que a realidade te encontra
Terá que reconstruir as regras para viver
Suas regras não devem chegar prontas
Fará o que for preciso para sobreviver
Nada de julgamentos errôneos sobre o que fez
Os caminhos todos você que trilhou
Responsabilidade sua para aprender com eles
E saber o que de você restou
Comigo a história foi parecida
Conheci amores
Sofri e ganhei feridas
Aprendi que dores não são bonitas
E que flores não signicam
Que minha presença é querida
Aprendi então a usar meu dom
E encantar homens por diversão
E é muito divertido tê-los em minhas mãos
Dizê-los sim, mas muito mais o não
Homens são cachorros em busca do perdão
Eles dão a pata e latem para chamar atenção
Se você descobre isso é meio passo andado
E ao invés de sofrer por eles, consuma-os
E então largue-os de lado
Sinta o poder embriagado pelo tesão
Deixe-os te amar e, mas só de longe
Alimente a fera com paixão
Mas sempre a deixe com fome
Assim ela geme sempre seu nome
Ele sempre lembra quando sente fome
Cristianismo errou muito feio
Veem os demônios e têm tanto medo
Mal sabem que aquelas imagens estão erradas
E que o demônio vive em suas estradas diárias
E se alimenta de seus desejos
Eles não são uma figura imaginária
Coitados, rezando todos os dias por nada
Nós somos os demônios das histórias
Cada um de nós vivendo aventuras imortalizadas
Vivemos os dias como heróis em busca de glórias
Que outrora seriam inalcançáveis
Eles são os próprios demônios
Em busca de sentimentos egoístas
Clamam a deus, se fingem altruístas
Para julgar quem somos
Cagando regras que ninguém precisa
Abençoados por demônios?
Não me faça rir
Quem além de um Incubus
Faria você sorrir e se sentir assim
Sim, eu sou um destes
Um demônio que entende seus poderes
É que existem leis e normas ocultas
Que só são feitas para impossibilitar suas lutas
São regras sim, regras de merda
Regras que só servem para te prender
Em troca de uma vida eterna
Como escravo do celestial
Revestidas de “moral”
Eu sou o inferno na terra
Eu sou o fim
Você concorda que é certa a minha guerra
Então não questione meus métodos
Pois existem sempre fins