27 – Gótico

As forças do inimigo
Oprimem a mente do fiel
Se te envolvem em fel
Então serão meu abrigo

Jesus morreu antes de nascer
Constantino lhe deu esse prazer
Agora o espírito santo é o guia
De mentes e almas já vazias

Pois eu persigo o sonho meu
Fugindo da estagnação passada
Voando e derretendo pelo céu
Mas ao cair não me arrependo de nada

Eu me importo com os outros
E também com a vida humana
Quero ter uma vida bacana
Ver meus amigos bem soltos

Mas a atual bondade ingênua
Afoga o bem de verdade
Num mar de pura insanidade
Deixando uma quietude plena

Pois eu rasgo essa fantasia do além
E procuro entidades humanistas
Há uma beleza no sacrifício, sei bem

E refaço meus estudos
Penso em meu lugar no mundo
Dedico a minha vida aquilo
Respiro o estilo artístico.

26 – Apocalipse

Talvez nos enganamos
E se fomos nós os deuses?
Nossos poderes criamos
E transformamos todas as vezes

Transformamos a terra e o céu
Transformamos as cores
Nós recriamos as flores em papel
Retiramos o mel e o transformamos
Em valores

Talvez sejamos deuses da destruição
Levando nosso mundo a extinção
Vidas inocentes, fauna e flora
Não são uma grande preocupação
Em comparação ao lucro que vira agora

Deuses que potencializam seu poder
Para poder se materem melhor
Consideram a morte vencer
O preço da vitória grava na terra o seu pior

E se somos deuses menores?
Cada um com sua função divina
Uns para lutar, outros para escrita
Artes que nós fizemos virar scores…

Podemos ser deuses, acredito.
Deuses de criação, eu ainda me permito.
Deuses que usam a imaginação
E transformação em realização
Deuses que lêem o mundo
Criam determinada opinião
Querem determinado estudo
Para transcender entre os seus
Dominar o poder como deus

Se o mundo acabar como falam
E os humanos derreterem no asfalto
Prevejo, apesar de ser contrário
Que alguém desejou todo esse estrago

25 – Paranormal

Há uma sombra vermelha
Pairando pelo mundo
Uma ameaça a tudo
Apagando a centelha
Corrompendo o futuro
O imundo virará rei
E o rei perderá prestígio
A violência eu herdei
Minha resposta é homicídio
Não prometo vida boa
A vagabundo pé rapado
Vai segurar teu fardo
Não importa o quão árduo
Eu sou sua patroa
Seu patrão, seu dono
Mando e desmando
E assim eu me imponho
Resposta não tô aceitando
Mas esses comunistas são demais
Que absurdo falarem sobre paz
A lei da vida já está dada por aqui
Alguns humanos só servem pra servir
Eu não sou como esses outros
Também vem de minha família
O apreço, a norma, os gostos
Somos como uma matilha
Correndo entre os nossos
Degolando cordeiros
Isso tudo é verdadeiro!
Nossa força depende de seus esforços
Então não morra, bobo.
Trabalhe que nem louco
E no final de tudo isso
O problema é o fantasma do comunismo

24 – Fantasia

Acordo de manhã
Mais um dia na rotina
Banho para aguentar a sabatina
Café, pão, carinho no cão
E partida

Um caminho longo e tortuoso
Perguntando “por que saí de casa?”
Saio cedo e para meu desgosto
O transporte ainda me atrasa

Chego no lugar e começo minha função
Calado sempre pra não chamar atenção
Falo com meu colega uma piada besta
Ele não entende e eu volto meu corpo à mesa

Passo o dia envolvido em problema
Meus, dos outros
E de quem mais me conheça
Fujo e caio em mais esquema
Desejo que todo mundo desapareça

O dia acabando e só humilhação
Vou tentar beijar um gatinho pançudo
Ele me encara com um terror absurdo
Eu me retiro rapidamente logo então

Voltando para casa e eu estou cansado
Mais um dia em que fui humilhado
No celular mil mensagens do meu lado
Finjo-me de abestalhado

A viagem de volta é pior que a ida
Pessoas perderam sua fé na humanidade
Já desistiram de suas vidas
Tratam aos outros com sincera maldade
Eu só quero chegar no meu local de saída

Chegando em casa e tudo apagado
Ligo as luzes e ponho comida no prato
O cão pede sempre um pedaço
Tomo um banho e subo para o quarto

O meu dia existiu e foi sem parar
Eu não quero viver o mesmo lugar
O mesmo minuto, o mesmo real
Eu quero um mundo mais igual
Um espaço que eu sinta paz para ficar
A depressão de viver o real me é fatal
Não consigo mais me suportar

E é quando os sonhos aparecem
A fantasia, os segredos, o mundo celeste
Um escapismo para um lugar bom
Em que eu possa criar conforme meu dom

E você sente que é capaz de suportar
E sente que o presente é uma dádiva
Que você pode e deve transformar
Para não se afogar em lástima

Por favor, mergulhe na fantasia
Destrua seus muros literários
Soma esse mundo ao mundo imaginário
Alguém precisa parar a hipocrisia
De que sonhos são para crianças
E o real não pode ter magia

23 – Gore

Uma agulha entrando na córnea
A respiração automática parando
Tem algo que tá incomodando
Logo embaixo de sua unha

Corpo queimado aos poucos
O sol não é suficiente para meu receio
Deixe-me pensar em um jeito novo
De roteirizar sofrimento alheio

Vísceras explodindo em sua frente
Geralmente garotas sendo fatiadas
Brincar com corpos graças a internet
Vamos ver qual morte será mais falada

Eu parei de ver graça no gore
Não acho muito interessante
Existe outras formas telling a story
Não precisa de agonia incessante

22 – Emo

I don’t mind where you come from
As long as you come to me
I don’t like illusions I can’t see
Them clearly

O sentimento de vazio
Sentimento de solidão
Um Sofrimento bem cristão
Como se um buraco abrisse
E engolisse o sentimento bom
Como se a terra não tivesse perdão

Sofrer por viver é inevitável
Então porque não tornar isso claro?
Demonstrando sempre que estou revoltado
Viver pelo que sinto sem limite exato
A opinião dos outros… Jogo no saco

Roupa preta e maquiagem barata
As unhas bem mal pintadas
Um fone que salva o mundo
Não pode dar vazão aos absurdos

A cabeça toda complexada
Absurdo é o que não falta
Aonde estamos indo, ente?
Não nos calaremos a barbárie
Seremos sempre irreverentes

Mas o objetivo não é o mundo
Mas salvar a nós mesmos
Que sabemos lá no fundo
A guerra transformou tudo em esmo

Não há mais verdade
Que emita confiança
Nem mais um futuro
Que possa servir como esperança
O que temos hoje é nós
A arte que gostamos
Um artista e sua voz

Mergulhamos na autodestruição
Procurando um sentido da vida
Em meio a mentiras e enganação
Mas esse desafio parece não ter saída

Uma gota é uma enchente
E uma brisa se iguala a furacão
Não tem como um adolescente
Amadurecer rápido e com noção

Finalmente, digo o que é emo
É sentir o gosto do veneno
Viver a noite no sereno
Românticos se sentem plenos
Sabendo que pegamos seu lugar

O veneno é letal, mas não se assuste
É necessário entender a morte que ruge
As crises existenciais assombram a noite
Cada um com as técnicas, evitando a foice

Porém alguns não a evitam
Cedem ao desejo dos demônios
Sussurrando em cada ouvido
Dedicam àquela vida um último suspiro
Esses são os mais fortes
Os destemidos

Mas cabe aos emos segurar
O peso de sentir o sofrimento
Estuda-lo e entrar em consenso
Com os fantasmas a te puxar

Estes, os emos, são guardiões
Que guardam para os vivos
Os pesados e imensos portões
Entre o “definho” ou “sobrevivo”

21 – Monstro

“Cuidado, fofinho, cuidado ao andar
O monstro da rua, ele vai te pegar
Cuidado, fofinho, não ande sozinho
O monstro da rua não te faz carinho”

Corpo emplacado com ossos
Dentes como navalhas em sua boca
Olhos penetrantes, voz bem rouca
Isso chegará em ti
e não adianta os esforços

O ente caminha altivo, reverente
O sol a pino ou ele ausente
Não interessa mais a claridade
A criatura sente pelo temor sua autoridade

Dizem que, se olhar bem nos olhos
Brilhando tão amarelos como girassóis
A criatura fala e repete em sua cabeça
“Estamos com fome. Alimente-nos”.

Tome cuidado, criança ousada
Tome cuidado para não ficar só
Pois sozinha a sorte está dada
Mas acompanhado é melhor

Basta trair os companheiros e fugir

Ela não nega, finge e nem mente
Ataca-o diretamente em sua mente
Entorpece seus sentidos mais primais
Os poucos segundos já são fatais

Monstro de mil e uma lendas
Descrito como um ser sútil
Inédito e imprevisível apenas
O medo pode ser uma arma útil

20 – Brilho

Os adultos conseguem perceber
O brilho nos olhos da criança
E, agindo como quem quer vê-lo,
Manoela já assumia a liderança

A confiança em sua atitude
Tornaram suas palavras em lei
Abençoada foi por sua virtude
Logo disse para os moradores:
“Aqui eu não morrerei”

Logo depois procurou o templo torpe
Pois via em seus sonhos suas palavras
“A guerra está chegando, então te preparas”
O coração sentia um medo uniforme
Mas a cabeça a assegurava
Não mais importavam as batalhas

Cresceu em meio a soldados da fé
Mulheres ágeis e indecorosas
Umas com cicatrizes da cabeça ao pé
Outras imponentes e misteriosas

Todas guerreiras sempre preparadas
Os inimigos precisam ser eliminados
Sejam eles reis, magos ou outros soldados
Todos arrasados após a missão dada

E Manoela se tornou Gloriosa
Das mais fortes, a furiosa
Das mais místicas, a santificada
Ajoelhem, Manoela está na estrada

Guerras não passavam de títulos
Honrarias para seu nobre espírito
Triunfos consecutivos inflamavam templos
Mas havia algo diferente em seus pensamentos

Aquilo não era o suficiente para ela
Honrarias não resolveriam o problema
Era preciso alguém investigar o dilema
Esse alguém teria que ser Manoela

Traçou rumo ao norte a carroça
Atrás dela, apenas duas cavaleiras
Alahim e Rejene, grandes escudeiras
Juntas eram as verdadeiras gloriosas
Não havia nada que Manoela não possa

Mas todo herói possui sua derrocada
O confronto começou muito cedo
Armadilhas estavam bem preparadas
E não teve mesmo jeito…

Agora presas pelos seus captores
Ainda renderam uma boa luta lá atrás
O líder, furioso, mostraria do que era capaz
Elas seriam julgadas pelos Redentores

Redentores apareceram mal vestidos
Sem metal, apenas couro e tecidos
Elas não entendiam o que estava acontecendo
Mas Manoela de alguma forma sentia arrependimento

O que eram aquelas guerras que lutavam?
Ela queria proteger os inocentes
Armas nas mãos não os fazem indigentes
Por quais entidades eles se motivaram?

Essas perguntas nunca foram bem-vindas
Elas enfraqueciam as forças de luta
Era necessária a contínua disputa
Mas neste ponto desculpas não garante a saída

Os Redentores chegam perto delas
Falam entre si numa língua nunca ouvida
E repetem em uníssono para elas:

“As trilhas seguidas pelo caminho da vida
Dependem, antes de tudo, de nossas ações
Você, Manoela, usou o poder sem remediações
Ceifou jovens, adultos e idosos como diversão
Temos ciência do erro tomado, temos noção
Portanto, tu serás recebida.
As outras, irão para a execução”.

Manoela entrou em choque por um momento
Ao abrirem as grades, ajudou as guerreiras
Não iriam matar suas companheiras
Esmurrou quem podia para parar o evento
Mas, como um transe, tudo ficou sonolento
Última vez que as cumprimenta….

Sonhou com vinhas
Uma floresta inteira em volta
Olhar pra cima não adiantava
Tentou procurar alguma rota para casa
Se perdia cada vez mais enquanto andava

Chegou misteriosamente em um vale
O rio corria fino como uma fresta
Atrás dela, ouviu uma voz na floresta
“O chamado foi escutado, mas algo deu errado.
Quero que se defenda, então fale:
O que você não tem pensado?”

O sangue gelou em seu coração
A voz era a mesma que ouvia quando menor
E se viu acenando em compreensão

Ela foi enganada por temidos charlatões
A justiça que vendiam não servia ao mundo
Mundo este que não procura confusões
Mas sim a luz que existe lá no fundo

Ao acordar, Manoela se calou
Ela estava em um gramado
Não havia ninguém
nem nada
de nenhum lado
Com fogo nos olhos, se levantou
E sabia qual era seu fardo

Refez sua vida em pouco tempo
Treinou até estar bem preparada
E então voltou àquele templo

Chegando lá, foi recebida com aplausos
Os planos de vingança já estavam arrumados
Mal esperavam pela gloriosa Manoela
Destruindo a reputação que construiu com guerras
Pediu a rendição para todos os líderes
O pedido foi negado

Seus olhos recuperaram o brilho de pequena
Sozinha, subjugou um dos arrombados
Seu nome era Zenyas, líder dos esquemas
Matou-o em nome daqueles outrora ceifados

O amor se transformou em ódio num segundo
Ela mal conseguiu sair viva daquele reduto
QSentiu toda a solidão e tristeza do mundo
Guardou esse sentimento para uso futuro

Se escondeu em uma floresta distante
Encontrou-se um druida de nome Kerpito
Que adorava ser um rato falante
Ele a ensinou o que ela havia perdido
A conexão entre ela e o divino adiante

Hoje ela visita cidades esporadicamente
Para observar as pessoas e o dia-a-dia
Comprar equipamento, falar com gente
E até que é boa nisso,
Apesar de não ser muito sabida.

19 – Infectar

Juro que não é culpa minha
Um desejo não deve ser escondido
Vocês podem me ver como bandido
Mas eu ainda nem passei a linha

Sabe, a violência é contagiosa
Contagiante sentimento de poder
Deixa a pessoa bem poderosa
Se souber como proceder, claro

Eu sou a solução para essa sociedade
Um ponto final em todas as discussões
O que eu fiz foi a pura amostra de vontade
Minha e de outros em certas ocasiões

A verdade é que somos todos podres
De uma podridão que envergonha deus
Deus que abandonou os pobres
Pobres que outrora foram filhos teus

E agora choram aos meus pés?
Pedindo para parar de ser eu?
Eu estou dando uso a esse manés
Àqueles que um destino deus já deu

E por que a deus não cabe a prisão?
Prendam-no e deixem-no lá
Sua bondade é uma invenção
Benevolência que devora carcará

Somos onipotentes nós mesmos
Eu vos mostro isso o tempo inteiro
Mas vocês morrem de seus medos
Não aproveitam a força… Tão…
Incompletos…? Meeiros…?

Então vos darei uma chance
Provem para mim sua dignidade
Destruam sua própria vida
Ou as dos outros, por vontade

18 – Corromper

O objetivo é o poder
Um, dois, três, quatro…
Agora você vai perder
Pense sobre você
Uma arte? Um quadro?
Você vai se perder

Eu vos avisei a tempo
A inocência não é desculpa
Corrupção te acerta o peito
Culpa é inteira sua

Roubo-lhe a atenção
Leia mais, tolinho
Caindo caindo facinho
Envolvido com afeição

A ira faz mal, cordeiro
Consome sua alma
Fará seu prisioneiro

Manipulo você como um trouxa
Há quem valorize sua imbecilidade
Eu, por exemplo, me sinto à vontade
É que eu gosto do controle, poxa…

E você continua lendo
E você continua ouvindo
Saindo de seu senso
Sendo obediente…
Que lindo…

Um, dois, três…
Acabou.