Das sombras eu surjo
Alto, largo, profundo
Desafio o delirante surto
Imprimo meus versos
Afundando no mundo
Já não sei mais o certo
Estou muito confuso
Talvez tenha saído do curso
A verdade é que sinto muito
Sentimento verdadeiro
Incompatível tumulto
Borbulhando no meu peito
A verdade é que sinto muito
Por não poder me dar inteiro
Por me colocar em primeiro
Ter respeito pelo que sinto
Criar em mim um abrigo
E eu mais esmoreço
Quando eu não te vejo
E de tudo eu esqueço
Pois amor não está em varejo
Enlouqueço e me transformo
Perdido, confuso, tristonho
Torno-me algo disforme
Não me verás em teus sonhos
Inimaginável poder que corre
Cálido rosto assustado encara
Antes apenas algum tipo de tara
Roubo hoje o sangue que escorre
Omito os segredos que me envolvem
Golpes e pedras não me tocam
Instinto surge em meu âmago
Livro dele as amarras que aprisionam
E assim, eu me transformo
Sou eterna figura em comando
Das sombras à noite, sopro um véu como pano
Cubro os amores e os enobreço
Saberão que meu amor tem um preço
Louve-me, mas só se puder
Talvez seja bom e me impressione até
Desabroxe num sentimento repartido
Duvido que suporte o calor que tenho
Comigo
Transcendo numa explosão
Poder e emoção em constante expansão
Sobrepujo suas palavras com ação
Desafio os limites da ideia de paixão
Canção que só toca no verão
Hoje aqui jaz o inverno
O frio parece ser eterno
Ainda mantenho meu sermão
Reze por você mesmo para mim
Peça tudo que não vai conseguir
Implore clemência diante de seu tudo
E eu pensarei se proponho algum futuro
Pois eu sou o encanto das palavras certas
Sou o sexo suado da madrugada
Sou a mais pura alma aberta
Sou a carência encarnada
Não me toque jamais
E nem olhe nos meus olhos
Não beije meus lábios
Não me ame como pode
Minha loucura é visceral
Toma meu corpo inteiro
Eu sou completo literal
Não apenas um periódico
Companheiro