E, para meu ato final
Eu esmoreço
Eu me destruo
Eu enlouqueço
Busco qualquer vida que possuo
E a quebro num murro
Lembro do começo
Um pé atrás do outro
Pezinhos bem fofos
Pezinhos travessos
Lembro de todo o esforço
Das pessoas me ajudando
Daqueles que me deixaram exposto
Dos primeiros momentos insano
Cresci
Amadureci
Mas os problemas ainda estão aqui
Que vida miserável
Que vida desgraçada
Se um dia eu estava estável
Hoje só penso quando não estava
Que esquecimento maldito
Atenção de centavos
Poderes reduzidos
Aumento de estragos
Eu destruo meu próprio caminho
Desfaço, crio meu prejuízo
Me afasto de qualquer cuidado
Mesmo pensando do meu lado
O egoísta que morde o próprio rabo
E acaba com o bônus de qualquer atos
Que otário
Que idiota
E quando se fode?
Chora!
Perdeu oportunidade porque não liga
Não sabe de verdade
Não se importa com a própria realidade
Não vê quando perde a hora
Perde o evento
Perde o namorado
Perde a família
Os amigos
O contrato
Perde os objetivos
Perde a vida
Nada fica
Muito pelo contrário
Se gaba tanto que tudo muda
Que tudo pode se renovar
Precisa ficar de olho, ficar na escuta
Porque mudar pode significar
cair
e quebrar
Não vou dormir hoje
Não vou comer
Cometi o maior vacilo de minha vida
E eu não queria nem nascer
Tag: Caminho
O cavalheiro solitário
Novamente venho relatar minha vida
Tão rara e tão destemida
Na qual a raiva protagoniza
E rivaliza com a tristeza,
Que imóvel me deixa…
Cavalheiro solitário
Que caminha as estradas pútridas
Viciado em buscar ser viciado
De problemas está sempre à procura
Em suas viagens acaba em choque
Viu uma cobra dando o bote
Coitado do rato… Não teve sorte
Segue a vida o jovem cavalheiro
Em dias bons ele encontra sombra
Nos dias ruins, faz companhia ao sol
Ou será que o sol, por pena, que lhe faz
Companhia?
Mais parece que os dois andam juntos
Em uma boa sincronia
Com tanto tempo só
O cavalheiro pode pensar sozinho
Ele pensa nas escolhas
E pensa no caminho
Caminho tortuoso e perigoso
Que agora ele anda a contragosto
O remorso na mente
Odiava pensar
Criava problema inexistente
Mas o tempo pode ser bom também
Seus olhos viam de tudo
De monstro à moço de bem
Viveu histórias que nem o diabo
Seria capaz de dizer mais a fundo
Para uns, era um imundo
Para outros, um guerreiro de outro mundo
Para ele, só um cavalheiro
Não se importava com dinheiro
Queria viver o que pudesse viver
Seu sonho era curtir sua andada pela estrada
E pagava o necessário para andar,
Pois ele não queria saber de mais nada.
Cavalheiro solitário
Andava pela estrada apedrejada
Não sabia se eram pedras comuns
Ou se eram pedras raras
Os cristais quebravam em seus pés
E as britas cortavam
O cavalheiro solitário queria novos
Sapatos
Às vezes ele perde a direção
Anda a esmo e se perde no meio do sertão
Calma, cavalheiro, segura a emoção
Perdido também é um lugar
E o sentido também importa
Para não andar em vão
Pode dar medo
Ainda mais quando chega a escuridão
Mas tenha calma, meu cavalheiro
Você é nobre, carinhoso e bom companheiro
O caminho que trilha é o certeiro
Basta confiar nas placas
E em você mesmo.