Escrevi palavras
E seguem mentindo
Mantenho um sorriso
Traço meu caminho
Mentiras saem pela culatra
Cabe a mim rever a estrada
Mais uma pegada
Inimigo ou namorada?
Eu beijo o espelho
E me sinto inteiro
Corro para dentro de casa
Onde o perigo não passa
Deito no sofá e abraço as pernas
Abraço a almofada
Espero o clima dar uma melhorada
O silêncio também possui
Palavras…
Abro uma fresta na cortina
Para ver o que espera
Minha carne latina
Mentiras escorrem na janela
Nublando o dia quente
Esfriando meu coração
Que bate inclemente
Penso em versos de canção
A emoção mais adolescente
Subitamente desvio o olhar
Fecho a cortina
Volto pro sofá
Eu e eu, sempre comigo
O silêncio absurdo zune meu ouvido
Eu e eu, comigo
Namorados eternos
Eternos vadios
Mas eu não omiti
Eu não minto
Se o mundo sumisse
Ainda seria eu
Meu único amigo
A cortina bate em casa
Eu vou ver a rua
Não é nada
Fecho a janela
Penso se devo a espera
Olho pela fresta
Nunca houve nada…