Seu e meu

Seu cheiro é meu perfume
Seu toque que me veste
Seu beijo me consome
Sua voz me diverte

Seu olhar me acompanha
Seu peito me aconchega
Seu ouvido me segue
E sua boca que me beija

Seus dedos que me guiam
Seus braços me protegem
Seus pés abrem caminhos
E andam para onde querem

Seu calor me faz suar
Sua carne me alimenta
Seu ardor me sufoca
Me desperta
Me orienta

Suas palavras me acalmam
Suas palavras me abravam
Suas palavras me abraçam
Suas palavras me calam

Sua saliva me derrete
Sou o doce que você precisa
Seus dentes me mastigam
Sua língua me instiga

Seu arrepio me contagia
Seus pêlos me deixam viciado…
Hipnotizado…
Como feitiçaria…

Seus movimentos de dança, meus passos
Suas saídas são meus espaços
Como o sol brilhando para a terra
Como pássaros na atmosfera
Como um descanso depois de um dia árduo

Seus roncos são meus conselhos
E sua tremida é minha piada
E meus sonhos são verdadeiros
E meu acordar é voltar para casa

E nossos agarrões são o meu respiro
Nossos momentos são o meu delírio
Nossas escolhas são o meu destino
E nossos afetos são os meus amigos

O choque

O choque quando acontece
Algo tão simples
Fatal
E você finalmente entende
Que estava errado o tempo inteiro

Para uma pessoa que namora
E nunca disse um não
Seu namorado não tem noção
Do que você não gosta

Ele vai chegar um belo dia
Querendo sua companhia
Você vai os problemas na mesa
E ele vai embora

Para uma pessoa rodeada de pessoas
Amigos, colegas, família, vizinhos
Talvez eles não tenho ouvido
Quando você impôs o limite querido

Então, pelo costume, que atravessem
Pois eles te conhecem…
Que distorçam suas palavras
Para ser algo que os interesse

E para aquela pessoa sozinha
Na rua
Naquela viela meio suja e escura
Que teve seu afeto cortado
Com uma faca de manteiga

Eles dizem
“Já conheço ela!
Não espere a deixa!
Pode ir com tudo
Com ela nada é absurdo
Mas deixe beber primeiro”.

Que conselho certeiro
Daqueles que ela um dia conheceu
Hoje fantasmas de um passado
Próximo
Desmereceram ela a um nível
Inóspito
Onde vive a ilusão que tem
Propósito

Sem saber que está só
Em frente ao depósito
Ela conversa com fantasmas
Que te dão a mão e fazem graça
Mão vazia de nada
Sem apoio
Só um engano ao próprio olho
Hipnotizando para ser enganada

Há um poder sim
Não tenho como negar
Mas ele está na possibilidade
Do “ter” sem antes “conquistar”
Ah, e ela tem… Ô se tem…
Mas eles não sabem usar

E então
No dia que entende isso
É um dia libertador
Pode ser feliz sem pudor
Pois conhece a si mesmo

Mas é também confuso
No jogo de fala
No jogo de corpo
Quem ganha?
O teatro ou o uso?

Faremos um teste:
Diremos não.
O que será que acontece?

Acontece um agarrão
Acontece o cabelo puxado
A cabeça segurada
Acontece a boca tentando fechar
Acontece a respiração pesada em sua frente
Acontece um turbilhão de sensações em sua mente


E aí ela descobre
Que o poder não está com ela