Nascido do fundo de Cajazeiras
As crianças já maneiravam nas brincadeiras
Arthur era um garoto sem limite
Saía de casa e voltava
Cheio de cicatrizes
Os pais adoravam aquilo
Diziam sempre
“Ah, isso é coisa de menino”
E parabenizavam o querido filho
A vizinhança, no entanto
Comentava sem muito encanto
Falar em “Arthur” era falar desgraça
As comadres sempre falando
“Esse daí não vai dar em nada”
Pois Arthur cresceu demoníaco
Era o pior dos piores entre os amigos
Aliás, se é que posso chamá-los assim
Já que andavam com Arthur por medo
Ou porque ninguém se metia com o pivetin
Até o dia chegou
Era seu aniversário e ele comemorou
Foi pra rua, chamou quem podia
Pagou a bebida e comida
Música alta durante todo o dia
Chegando a noite,
ele queria mais
Nenhum deles era mais capaz
Então saiu sozinho testando a sorte
Foi chamado pra um paredão
Lá mais pro norte
A galera que chamou não era confiável
Mas Arthur sempre foi intocável
E ele chegou na rua
Notou logo as casas
Aquela não era área sua
Mas bêbado e sedento por festa
Ouviu a galera dizendo
“É niuma”
E caiu dentro do paredão
E ela gente bonita
Música alta
Galera só bebendo no copão
Os caras trajados vendo as minas jogando
E as minas pique patricinha
Encarando os manos babando
Arthur estava jogando com tudo
Igual pinto no lixo
Não mexia com ninguém,
Não tolerava vacilo
Não tinha nome ainda
Estava tranquilo
Até que a galera chamou ele
Os seus parceiros não entenderam
Quiseram ir de frente, mas não puderam
Dois caras de “peça” na mão
Medo os impuseram
“Fedelhos”, pensou Arthur
Puxaram-no para uma rua próxima
Eram três caras, mais um chefão
E o guarda-costas
Arthur notou toda a situação
Calculou a força e intensidade
Entendeu que Inês já estava morta
E ele era depois
Então não esperou muito
Quando o guarda afrouxou a mão,
Ele pulou em cima do grandalhão
Subjugou-o em seguida
Pegando a arma dele e apontando para a dupla
Esquisita
Os assustados ficaram
Chocados
Enquanto Arthur matava o líder e o outro
Otário armado
De repente o sangue explodia em Arthur
Que ria achando engraçado
O evento maluco
Naquele momento ele fez um discurso
Chamou todos os vagabundos
Os mercadores e pecadores
Impôs seu respeito pela dor
Pela sua falta de sensibilidade com o mundo
Pelo seu riso absurdo
Então foi lembrado assim
Com o sorriso enlouquecido
Mas sagaz até o fim