E por que você ia querer saber disso, ein? Isso é assunto meu! Vai tratar do que você tem que tratar e deixe isso comigo! Sofrimentos passados não devem ser lembrados de forma tão fácil ou tão tranquila, imbecil.
O que eu posso dizer é que eu sou de longe daqui. As marcas e metais no meu corpo não me marcaram como o passado em que eu vim. Nasci bem, não nego. Filho de nobres anões de uma corte humana que há muito haviam desertado, eu já teria um lugar no mundo mesmo antes de me perguntarem se eu queria, mesmo antes de saber o que era o mundo.
Bem, o começo da história não é muito bonito. Eu nasci em uma vila de anões ao norte muito feliz. E aí os magos vermelhos apareceram e mataram todo mundo. Meus pais tinham dinheiro suficiente para subornar o líder daquela esquadra a me deixar sobreviver. Apenas eu… Ainda lembro os gritos de meu pai…
Bom, eles me levaram para um lugar conhecido pelo domínio de magos vermelhos. Na época eu não sabia muito sobre magos vermelhos, só sabia que eram chatos, poderosos e temidos. Eu sempre gostei da parte de ser temido, mas dos outros ali… Nunca fui muito com a cara não. Não tive tempo para deixar o trauma me corroer e busquei estudar magia desde o momento em que eu cheguei ali, pois me disseram que quanto mais poderoso eu fosse, mais me respeitariam.
Posso dizer que construir meu caminho sozinho, e o que esperar de um anão como eu? Vi muita gente que seguiu o caminho errado morrer… Aqueles que me captaram, porém, me protegeram até eu ter idade para me proteger só e, como os humanos envelhecem rápido, eu acabei tendo que defender meu espaço sozinho.
Um anão não envelhece como humanos, eu lembro meus pais explicando para mim a inferioridade deles. Quando os humanos perceberam que eu era um anão jovem, assim como quando eu percebi que humanos são fracotes, eles me deram as primeiras missões.
Os generais de mais alta casta na magocracia nos dava missões e eu sempre as completava, mas do meu jeito. Eles me mandavam destruir um vilarejo? Eu destruía as casas, mas salvava as pessoas. Traidores? Alguns mortos em minhas mãos, outros feitos como aliados para matar meus inimigos de dentro da organização. E eu já matei pessoas que estavam em meu caminho só porque eu podia. Algumas eu me arrependo, e vejo o rosto na luz das tochas à noite. Outras eu fico feliz por ter tido a oportunidade de matar, e até mesmo esqueci seus nomes.
Ainda assim, mesmo desde pequeno lá, magia foi algo muito difícil de aprender, o que me tornou a ralé da ralé lá dentro. Fez com que eu treinasse só e ficasse forte e resistente (diferente daqueles magrelos), mas também fez com que eu aprendesse magia para me defender.
Se o mundo te joga uma pedra, você não joga a pedra de volta. Você pega a pedra, entalha uma ponta afiada e tenta esfaquear o mundo.
Eu sobrevivi a este mundo.
Quando houve a cisão entre os poderosos magos, eu saí da organização. Sumi da área, fui procurar trabalhos melhores e, quem sabe, a vila de onde eu vim.
Nunca consegui achar tal vida. Acabei parando em Baldur’s gate ganhando a vida ajudando um velho sábio que, em troca, me ensinava magia. A vida era terrivelmente calma.
Até que algo aconteceu…
E você já sabe o que foi.
Explosão da cidade, o velho ficou curioso de saber e me mandou vasculhar numa caravana com outras pessoas. Achou que teria dinheiro, itens mágicos ou sei lá o que. Infelizmente eu sou mandado e sobrevivo ali, então vou fazer o que ele quiser que eu faça.
Acabou aqui a história. Feliz por saber alguma coisa de mim? Agora cala a boca, imbecil. Não quero mais ouvir nada sobre isso. Vai fazer algo útil.