16 – Anomalia Quântica

Há milhares de mim
Bilhares
Se escondendo na minha pele
Em minhas unhas
Nos meus olhares

Eu sou composto de ferro
De água, fogo e tesão
Ando por aí porque posso
Dificilmente aceito fácil um “não”

Eu sou a voz em sua cabeça
Dizendo que você quer ousar
Eu sou a lembrança perdida
E envergonhada
Pedindo para entrar

Sou o acerto e o erro
Sou o secreto desejo
Não podes se esconder
Eu sei quem é você

Eu sou também seu cérebro,
Pulsando em energia
Queimando seus neurônios
Acreditando em magia

Eu sou cada parte de quem sou
Milhões, bilhares de células
Sou cada uma delas
Multitude sobre a tela

Se fervo em febre
Me livro do mal interior
Se entro em transe
Usando droga ou por amor
Eu me curo com poesia
Ou com a dor

Pequenos seres incontroláveis
Comendo sem parar
Gerando outros milhares

Posso não conseguir ver
Posso não pegar, cheirar ou lamber
Mas eu sei que estão aqui
Me montando Tintim por Tintim

Pois sou responsável por todos
E tais são responsáveis por mim
Eles querem viver como loucos
E eu quero apenas curtir

Não há nada de errado
Em ser composto por nano-arrombados
Que seguem suas próprias regras
Que vivem ou não vivem de fato

Eu não tenho as minhas?
Vivo pelo que acredito
Bebo água porque preciso
Bagaço um podrão
Como um delicioso marido
Não meu, dos outros
E sigo minha vida sendo
O perigo

Eu sinto a energia surgir
Num salto entre camadas
A cada salto
Um novo de mim
A cada salto
Entre os infinitos de saltos
De incontáveis de elétrons
Pulsa Ícaro dentro de mim

E, por mais antigo que isso seja
Que seja deus ou parte da natureza
Ainda assim é novo para minha vida
E mudarei, mudarei e continuarei mudando
Até a minha partida