21 – A guerra contra si mesmo

Você se esconde em meu cabelo
Sussurra em meu ouvido
Eu penso que é inofensivo
Erro meu, é um ínfero vivo

Fama? Poder? Glória?
Não me amola…
Não tenho isso como objetivo
Eu gosto do trabalho bem feito
Organizado
Diretivo.

Mas quando chega esse demônio
Uma pequena distração
Se torna um eterno vício
Prendendo-me como se fosse feitiço
Derretendo minha mente
Fazendo-me seu refém
Impedindo-me de ir além
E eu não consigo lutar contra isso

Sinto grilhões me prendendo ao chão
Pesos que quase esmagam meus músculos
Sinto um topor absoluto
O tempo passa num segundo
E tudo que eu tenho pra fazer….

Acaba insolúvel…

Perco chances,
Perco encontros
Por conta de um maldito
Demônio
Perco momentos de qualidade
Perco amigos, perco vantagens
Por conta desse MALDITO
DEMÔNIO

E, ao passo em que escrevo,
Sinto meu corpo preso
Como se eu tivesse em cimento
Como tivesse sendo esmagado
Contra o tempo
E a demanda

E, antes de fazer qualquer coisa,
Tudo já me cansa
Me cansa pensar sobre o que fazer
E, por mais que faça algo
Nunca é suficientemente bom
Ou interessante
Ou sei lá mais o quê

As vozes são altas de mais
E o calor me sufoca
O cansaço vai ganhando
E mais um dia sem girar a roda

É um ciclo vicioso
Adoecedor e delicioso
Sair dele é como tirar um micro espinho
É como se acalmar enquanto se afoga
É como sempre saber o melhor caminho
É como saber a hora de ir embora

É muito difícil para mim
E eu estou cansado demais
Mas não vou desistir aqui
Pelo mínimo que eu me mexo
Eu contigo me erguer e fugir

Faço um trato com o demônio
Para que não me perturbe por horas
Foco na atividade e me perco
Faço sem parar
Até não poder continuar

E então ele volta.

Ainda sonho de me livrar do demônio
Talvez um dia ele simplesmente suma…

Quem eu tô querendo enganar,
Não será fácil.
É preciso disciplina minha
E é preciso um pouco de ritalina sua.