Mil e outros…

Mil e muitos outros gostos
Rostos
Soltos
Pegam e amassam
Esticam
Provocam
Os lábios
A pele
Uns amassos
Meus
Nossos

Que outra forma seria vos amar?
Que até a criança mais risonha
Nunca ousaria sonhar
Ou até o mais velho e rabugento
Nunca iria experimentar

Ai amor de ouro
Que nunca cai na mão do tolo
Caiu na minha
E eu, que não sou bobo
Estou já aproveitando de partida
De Mil e muitos outros
Rostos
Soltos
Uns vivos, outros nem tão pouco
Vocês dois são os meus tesouros

Forjados pelas mãos dos deuses
Trabalhados pelo mais minucioso artífice
Vocês são arte, vocês são aprendizes
Que vivem o dia e a noite na labuta
E amam como podem
Vêem um ao outro como parceiros de luta
Unidos em graça e ousadia
Dividindo a fruta
Saboreando a vitória do dia
Talvez de toda uma vida…

Vocês são a própria lava
Derretendo tudo por onde passa
Uma amálgama de puro calor
Ardor
Amor
Que força sua saída do vulcão
E explode dentro de meu coração

Que sorte tenho eu
Um mero homem ousado
Que tento descrever
Os sentimentos que vocês têm me causado
Então faço em poesia,
Pois não há outro jeito literário
Que possa transcrever algo físico
Tão bem imaginado…
Tão bem…
Fantasiado…

“O que é mais real mesmo?”
Quando vocês sorriem para mim
Eu sinto exatamente esse efeito
Tão diferentes, mas tão lindos
Amo-vos os dois
E nada mais que isso

Meus preferidos
Não se deixem enganar
Amo-vos, sim
Mas vós sóis diferentes
Então deixe-me melhor elaborar

Forjado por Atena
Esperto sempre que entra em cena
De pensamento rápido e ardil
De jeito mole e gentil
Um abraço que leva o mundo inteiro
Um humor, um sorriso, um beijo verdadeiro
Um calor que abraça meu corpo
Os olhos que me almejam
Eu nunca pude fugir de nossa química
Te amo inteiro
Te amo, vida

Forjado por Pan
O belo dom da natureza
E até mesmo quando esbraveja,
O homem é adorável
Amável
Como um guardião de mundo
Antes abraçado
Como aquele primeiro namorado
Que faz tudo certo de fato
O primeiro sexo folgado
E você pode parar um momento
E sonhar um futuro juntos
Eu acho que te amo também.
Quero fazer isso ser profundo.

E mil e muitos outros
Gostos
Rostos
Soltos
Pouco a pouco acham o meu
Mas vossos gostos
Rostos
Corpos
Nunca nunca

Deixam o peito meu

Raio-M

Você me apareceu como pesadelo
Devaneio e pisco os olhos
Não consigo dizer se é verdadeiro

Você me apareceu como pesadelo
E eu luto contra a vontade de fugir
De sair dali
Escondo meu rosto do seu
para que você não possa
Me sorrir

Ah, seu sorriso…

Você me apareceu de novo
E quase que eu me assusto
Mas você agora era outro…
Deixou o pesadelo de lado
Agora era só um rapaz interessado
Bem galante, bem humorado
Bigode brilhante, sorriso lustrado

E a cara que não valia um centavo:
Mas sim, todo o real,
os réis e os cruzados.

Me acertou em cheio
Eu, que te vi como pesadelo
Agora vi a cores, carne e coração
Como um sonho quente de uma noite de verão

Você estende a sua mão
Me faz uma proposta irrecusável
Me pede para beber a água
Eu, um sedento miserável
Me pede para comer o pão
Eu, com uma fome de Erê
Em dia de São Cosme e Damião
Você oferece a luz
A mim, preso há meses na escuridão

Você estende a sua mão
E eu a devoro
Devoro seu braço
Antropofago tudo que cabe
E, se parecer que não cabe,
Eu encaixo

Nos seus olhos
A alegria
Em sua boca
A paz e tranquilidade
Em seu corpo
A agonia
E nós dois juntos
A liberdade

Assim, eu entendo
Que meu fogo lá de dentro
Ainda queima com vontade
Quando te revi aquela tarde
Quando te revi no teatro
Não esqueço de nós naquele quarto

Nem um dia sequer

Você me desejando com tudo que podia
E eu podendo realizar os meus desejos em meio à agonia
Que amor, que toque, que beijo…
Que vida, que me toca ao peito
Que cura ferida

Como fui tolo ao entender “pesadelo”
Minha cabeça quis dizer
“Ame-o por inteiro”

O cavalheiro solitário

Novamente venho relatar minha vida
Tão rara e tão destemida
Na qual a raiva protagoniza
E rivaliza com a tristeza,
Que imóvel me deixa…

Cavalheiro solitário
Que caminha as estradas pútridas
Viciado em buscar ser viciado
De problemas está sempre à procura

Em suas viagens acaba em choque
Viu uma cobra dando o bote
Coitado do rato… Não teve sorte
Segue a vida o jovem cavalheiro

Em dias bons ele encontra sombra
Nos dias ruins, faz companhia ao sol
Ou será que o sol, por pena, que lhe faz
Companhia?
Mais parece que os dois andam juntos
Em uma boa sincronia

Com tanto tempo só
O cavalheiro pode pensar sozinho
Ele pensa nas escolhas
E pensa no caminho
Caminho tortuoso e perigoso
Que agora ele anda a contragosto
O remorso na mente
Odiava pensar
Criava problema inexistente

Mas o tempo pode ser bom também
Seus olhos viam de tudo
De monstro à moço de bem
Viveu histórias que nem o diabo
Seria capaz de dizer mais a fundo
Para uns, era um imundo
Para outros, um guerreiro de outro mundo

Para ele, só um cavalheiro

Não se importava com dinheiro
Queria viver o que pudesse viver
Seu sonho era curtir sua andada pela estrada
E pagava o necessário para andar,
Pois ele não queria saber de mais nada.

Cavalheiro solitário
Andava pela estrada apedrejada
Não sabia se eram pedras comuns
Ou se eram pedras raras
Os cristais quebravam em seus pés
E as britas cortavam
O cavalheiro solitário queria novos
Sapatos

Às vezes ele perde a direção
Anda a esmo e se perde no meio do sertão
Calma, cavalheiro, segura a emoção
Perdido também é um lugar
E o sentido também importa
Para não andar em vão

Pode dar medo
Ainda mais quando chega a escuridão
Mas tenha calma, meu cavalheiro
Você é nobre, carinhoso e bom companheiro
O caminho que trilha é o certeiro
Basta confiar nas placas
E em você mesmo.

O choque

O choque quando acontece
Algo tão simples
Fatal
E você finalmente entende
Que estava errado o tempo inteiro

Para uma pessoa que namora
E nunca disse um não
Seu namorado não tem noção
Do que você não gosta

Ele vai chegar um belo dia
Querendo sua companhia
Você vai os problemas na mesa
E ele vai embora

Para uma pessoa rodeada de pessoas
Amigos, colegas, família, vizinhos
Talvez eles não tenho ouvido
Quando você impôs o limite querido

Então, pelo costume, que atravessem
Pois eles te conhecem…
Que distorçam suas palavras
Para ser algo que os interesse

E para aquela pessoa sozinha
Na rua
Naquela viela meio suja e escura
Que teve seu afeto cortado
Com uma faca de manteiga

Eles dizem
“Já conheço ela!
Não espere a deixa!
Pode ir com tudo
Com ela nada é absurdo
Mas deixe beber primeiro”.

Que conselho certeiro
Daqueles que ela um dia conheceu
Hoje fantasmas de um passado
Próximo
Desmereceram ela a um nível
Inóspito
Onde vive a ilusão que tem
Propósito

Sem saber que está só
Em frente ao depósito
Ela conversa com fantasmas
Que te dão a mão e fazem graça
Mão vazia de nada
Sem apoio
Só um engano ao próprio olho
Hipnotizando para ser enganada

Há um poder sim
Não tenho como negar
Mas ele está na possibilidade
Do “ter” sem antes “conquistar”
Ah, e ela tem… Ô se tem…
Mas eles não sabem usar

E então
No dia que entende isso
É um dia libertador
Pode ser feliz sem pudor
Pois conhece a si mesmo

Mas é também confuso
No jogo de fala
No jogo de corpo
Quem ganha?
O teatro ou o uso?

Faremos um teste:
Diremos não.
O que será que acontece?

Acontece um agarrão
Acontece o cabelo puxado
A cabeça segurada
Acontece a boca tentando fechar
Acontece a respiração pesada em sua frente
Acontece um turbilhão de sensações em sua mente


E aí ela descobre
Que o poder não está com ela

Besteira de política

E no silêncio
Eu me faço ser ouvido

Sou a canção da multidão ecoando
Zunindo no ouvido daquele que não ouve
Que prefere que eu passe despercebido
E às vezes eu também prefiro

Se todos somos guerra, então cadê a batalha?
Não há rastros…
Não há fumaça…
Mas há vítimas.
Sim, e mais vítimas do que imaginava

Vitimas cansadas
Vitimas ousadas
Aquelas por muitos esquecidas
Invisíveis, morrendo pelas vistas
Pelas visitas de estrangeiros
Que são vítimas de verdade
Que choram de boa e má vontade

E coitado do povo

O suor do povo mascára
As presas do outro
Que nos eviscera sem pensar nem um pouco
Mais um e mais dois
Vão-se três jovens de uma vez

Da voz de todos, ouço um socorro
Ouço a voz da mãe
Da irmã
E do amigo
Ouço a minha voz tentando falar
Para confortar ou fazer abrigo
Ouço as palavras encherem a sala

Mas não vejo a batalha
Até que ponto tu lutas por todos?
Até quando lutas por mim?
E o que eu farei por mim?

Penso em pompeia
E eu achava absurdo
Como pode toda uma cidade morrer
Achando que nada estava rolando
Vendo tudo se acabar
Se agarrando ao último suspiro

Suspirando até que acabe

Amargurado

Deixei acontecer
Malditos!
Eu deixei acontecer!

Talvez tenha sido a bebida
Ou talvez a erva
Pode ter sido as amizades
Ou então as responsabilidades…

Não, fui eu
Eu deixei o mundo me engolir

Quando adolescente
Escrevi uma história
Que um mundo de monstros
Me seguia mundo afora
O mais estranho
É que eu fazia parte
Do mundo de monstros
Ao mesmo tempo que os monstros
Corriam de mim
Eu corria dele

Deixei o mundo me engolir

E aí o amor não deu certo
E daí que o amor não deu certo?
Então eu perdi o passo da pesquisa
Cadê então aquela força precisa?
A força que sempre tive
Que lutei durante o luto
Que me joguei sozinho contra o mundo

E venci milhares de vezes

Cadê meu Ícaro calejado?
Aquele que nunca precisou ser
Cuidado
O malandro,
Nunca o otário
Aquele que se permite ser desejado

Me sentindo rejeitado
Contrariei as minhas ordens
para ser amado

Criando limites para o outro
Novas diretrizes para mim
Eu me faço com esforço
Argila, carne e osso

Demora tempo
Tenho que ter paciência com isso
O Ícaro antigo não existe mais
E o novo não pode mais existir
Preciso de algo novo
De novo

Me sinto a ouroboros
Num ciclo infinito de meu rostos
Muitos outros Ícaros soltos
Já não tenho mais ideia
De quem sou eu

No entanto não serei mais assim
Amargurado, com medo de mim
Fugindo da sombra de quem fui
A vergonha e o medo não me constitui

Eu sou esperto como o malandro
Sou forte como um furacão
Sou destemido como o punk
Não abaixo a cabeça pra doido não
Sou cuidadoso como o professor
E destruidor como o demônio

Eu fui e sou tudo isso
E eu serei muito mais

Doente da cabeça

Sinto algo em mim
Apodrecendo
Sinto escorrendo pelos olhos,
Boca e nariz
Sinto perdendo uma diretriz
Ela se expurgando de dentro de mim
Me sinto sensível e perigoso
Sinto esse assunto doloroso
Murchando em meus pensamentos
Derretendo meu corpo
Se desfazendo
Pouco a pouco
Adoecendo
Quase louco
Totalmente esquecido

Do que eu estou falando mesmo?
Esqueci

Eu gosto de azul

Eu gosto de azul
Gosto de ver o azul do mar de longe
Espesso e profundo
Se movendo com toda sua força
O azul que nunca acaba

Gosto quando o azul do mar
passa para o azul do céu
Gosto quando o céu está azul bem claro
Por entre as nuvens
Gosto quando ele está um azul intenso
Num céu límpido
Gosto também quando anoitece
E o céu faz uma festa de cores dentro do azul

Para depois se despedir
Em preto
E, por mais que eu goste de preto,
O azul sempre parece ser melhor

E, quando o preto estrelado cansa de ser lindo
O azul retorna aos poucos
Em uma festa multicor e brilhante
Só para retomar seu controle em azul de novo

A cor me lembra uma felicidade
Sem medida
Como uma crise de riso que acontece
Naturalmente
Me lembra que eu sou pequeno
E que conceitos são muito mais vastos e complexos
Que eu

Lembra também do estável
Do amanhã
Daquilo que não muda
Pois assim há mais chances de tentar
Errar e viver

O azul misterioso
Como os olhos de meu avó
Azul que viu de tudo
Que se arrepende de um passado
Mergulhado em dor
Um azul sem igual
Tão forte que a própria lucidez
Perde sua cor

O que defino de azul
É um dia de verão
O sol no alto e pessoas na rua
É o som batendo e a água na mão

Mas azul também é a solitude
Um lanche noturno
Ouvindo a música de sua juventude
Sigo para meu quarto
Me sinto seguro

Em meio de azuis mil
Sejam turquesa, petróleo ou anil
Eu aprecio cada única cor
Única presença
Preciosa, com valor

Eu… gosto de azul
Nada a mais

Lobo bobo

Lobo bobo, foi a ovelha o tempo todo.
Tentou brincar com outros lobos
Se fantasiou todo de lobo
Mas os outros lobos não foram tolos
E aproveitaram a ingenuidade da ovelha
Ovelha essa que se via como estrela
Ferocidade no rosto
Comia carne a contragosto
Tudo pelos lobos
Tudo pelos lobos
Não esperava, esse novo lobo
Que os outros lobos soubessem
Que era a ovelha o tempo todo

Cadê o Minoxidil?

Eu cheguei em casaaaa
E Puta que pariu
Bagunçaram tudooooo
Mas nada meu sumiu

Janela toda quebrada
Porta escancarada
Mas como assim
Como assim
Não levaram nada???

Nada???

Minhas jóias
E o dinheiro
A TV
e até o chuveiro
Nada sumiu
Está como estava
Mas agora no banheiro
Já aumenta o desespero
Já entendi
O que procurava

MEU MINOXIDIL!!!!!!!!!!!!

MEU MINOXIDIL!!!!!!!!!!!!

ROUBARAM O MINOXIDIL!!!
Onde está? Ninguém nunca viu!!!!
Cadê meu minodixil????
Pegou e fugiu!

Agora eu tô ferradooooooo
Tenho que me virar
A casa reviradaaaaaa
E a calvície sem tratar

Já estava
dando um jeito
Já nascia uns pêlos
No topo
da testa quadrada
Mas não tem mais jeito
Invadiram minha casa
E agora
Eu tô numa cilada

MEU MINOXIDIL

MEU MINOXIDIL

ROUBARAM O MINOXIDIL!!!
(Onde está? Ninguém viu!!!!)
CADÊ O MINOXIDIL????
(Pegou e fugiu!)
MEU MINOXIDIL, COLEGA???

Eu… Eu estou ficando…
CARECA!!!!

Eu tô muito retado
(Maldito descarado!)
Só consigo gritar!
(Invadiram meu lar)
Não importa mais nada
(Pegou e fugiu)
Meu minoxidil
(Casa bagunçada)

ROUBARAM O MINOXIDIL!!!
(Onde está? Ninguém viu!!!!)
CADÊ O MINOXIDIL????
(Pegou e fugiu!)
VOU MATAR ESSA DESGRAÇA
(Onde está? Ninguém viu?)
Chamar a polícia ou a NASA
(Pegou e fugiu)
Cortar as mãos desse corno
(Onde está? Ninguém viu)
Raspar o cabelo todo!!
(Pegou e fugiu)

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Eu escrevi essa música pensando em uma ilustração de álbum que meu amigo fez. Ele fez uma ilustração de álbum e uma lista de músicas e eu absolutamente adorei e disse que iria escrever a letra de pelo menos uma daquelas faixas imaginadas. E tá aí.