Paixão nascente

O cheiro de perfume em seu cangote quase me faz esquecer do mundo

Faz calar profundo
Para o tempo em que estamos
Me leva para outro mundo

Seu sorriso é precioso
Eu fico como Smeagle
Meio doido
Tentando preservar momentos duradouros

Ah, e seu olhar doce e carinhoso
Tão fofo que eu olharia de novo
E de novo e de novo
Olhando curiosos olhos a mim
Eu, parado, admirando sem querer fugir

Fico muito bobo quando eu percebo
Que passou um mês,
Passaram atrasos
Passaram anseios
E eu tive a sorte de ter você
Em meu meio
A sorte de dormir contigo
Por inteiro

Que eu tenha sido abençoado por Anteros
E todo Eros que sinto seja eterno
Que sabor que explode na boca
Com a beleza de mil sóis
Eu, com a mente louca,
Escrevo hoje isso sobre nós

O tempo não me permite ser perfeito
Erro em tempo, mas erro direito
Se não fosse o atraso de Rita Lee,
Como eu poderia ter certeza
que eu queria estar contigo ali?

Os outros atrasos não têm desculpa
Eu vou tentar melhorar mesmo
Às vezes é o tempo que não ajuda
Ou sou meu eu querendo agarrar o mundo inteiro
Sem receio
Sem plano
E sem esquerdo ou direito…

Talvez eu seja muito bobo mesmo
Que me esparramo no chão para sentir o desejo
Mas eu quero que você saiba
Ao passo que essa poesia se acaba
Que me coração balança quando te vejo

Porta que range

Eu leio minhas cartas morto
Morto
Eu ando meu caminho torto
Torto
Às vezes me bato um louco
Louco

Mas eu continuo morto

E quando eu estou feliz dançando?
Continuo morto
E animado pulando na chuva?
Continuo morto
E comendo uma deliciosa uva?
Continuo morto

E inspirado escrevendo poesia?

Quem sou eu?
Passam anos, passam dias
Passa noite, passam pessoas pelas vias
Passam vidas
E eu ainda não respondo essa pergunta
Tão fugidia quanto as próprias estrelas
Talvez eu realmente nunca me reconheça

Como posso afirmar algo sobre mim?
Tão inconsistente quanto água
Tão bonito quanto uma jasmim
Se toco na fagulha, apaga
Quando começo a história,
Já tá no fim

Não, como eu posso afirmar algo?
Se essa afirmação me impede de ser outro
Só sobra o morto
Só sobra o morto

Escorado em meu próprio corpo
Desprovido de vida
Eu acordo só pelo que me instiga
O desafio é a própria biologia

Não durmo, disassocio
Não sonho, me desafio
A cada futuro perdido, uma moeda
A cada esperança criada, uma queda

Chega um momento
Que o corpo se fragmenta
Joelhos, coração, barriga
Aquilo que me sustenta perde esforço
O alimento perde o gosto
E o sentimento é só desgosto…

A liberdade pode ser meu alimento
Ela pode me dar sustento
Mas ela é só uma palavra
Que voa com o vento…

Não tenho força para assoprar palavras
Mal tenho forças para escreve-las
Uma a uma, como uma peça de roupa
Vestindo o corpo nu do morto

É como uma porta que range muito
Um incômodo absurdo
Mas não se troca a porta conveniência
É só mais uma de muitas negligências
Que um dia proporciona a alguém

Preciso entender o que aconteceu
Entre eu e meu corpo
Preciso ficar só de novo

Cartas para queridos#9

Eu percebi ontem
Enquanto estava no metrô
Carregando uma mochila imensa
Assistindo uns minutos da vida passar
Sem resistência

Que nós não íamos dar certo

Eu vejo sua foto na rede social
Eu encaro seu match no app de relacionamento
Eu lembro de estar deitado em seu peito
Da pizza, da série, do beijo
Noite sensacional

Eu lembro de nossas conversas
Das diferentes estratégias
Para nos vermos mais uma vez

Eu lembro de conversar sobre nossos ex
Lembro de dar carinho em sua gata
De você falar sobre mágica
Mas agora o encanto se desfez

Eu sei que você não vai ler esse texto
Sei que, caso leia
Não saberá que é sobre você
Mas eu sei em meu peito
Que eu queria te ter

O que me confunde a cabeça
Me torce o esqueleto
Chacoalha o mar da incerteza
Quebra de vez o espelho

Acho que eu não quero essa vida
Não sou feito para monogamia
Das vezes que tentei não deram certo
E das vezes que falaram comigo
Eu não entendia todo o mistério…

Não entendo até hoje
O que tem de bom no ter
O que tem de bom na distorção
O que é legal na restrição
Enfim, posse é pra se fuder…

Eu quero amar alguém infinito
Quero amar todos os meus amigos
Quero amar minha familia sempre
Quero que meus afetos sejam presentes
Estejam presentes
Sejam cientes
Que eu quero alcançar o infinito

Eu quero alguém do meu lado
Alguém que me conheça de fato
Que fale comigo o certo
E fale comigo do errado
Que confie em mim em todos os casos
Eu quero amar um homem dedicado
Um homem que tenha desejos máximos
Que corra atrás de seus sonhos
Eu quero um eterno namorado
Romântico e agradável

E você é quase isso tudo, meu caro…
Você é quase isso tudo.

Você é a chance da vida comum
Da normatividade
Da vida fácil e tranquilidade
Dos dois se tornando um

Você é o matrimônio
O sonho de qualquer gay romântico
Você é o constante presente
A certeza de um futuro decente…

E por isso que não damos certo

Eu sou o caos na terra
A fagulha que o sol espera
Para acender seu calor
Eu sou todo seu ardor

Sou o futuro sem medo
Aquele que cospe na cara do direito
Eu sou filho do desejo
Repartido para cada homem da esquina
Eu sou a adrenalina
A bagunça que se organiza sozinha

Sou um, sou dois, sou três, sou todos
Sou seu marido, o amante e o corno
Eu sou o que te tira o chapéu
Te leva para o céu
E te beija o rosto
Sou aquele que te amará até no além
Sou seu corvo

Sou a fofoca quente do fim do dia
Sou a impaciência no meio da padaria
Sou a pichação em meio a rua
Eu chamo atenção, mas a vida continua

Eu digo isso tudo com tristeza
Porque é realmente mais fácil
sua forma de beleza
Mas devo ser franqueza
Onde há sentimentos meus sobre a mesa

Dois mundos
Dois amores
Dois futuros
Dois temores

Te deixo ir
Sempre com um espaço aqui
Para, sei lá, poder voltar
Para sei lá
Te amar

Da minha forma.

Morto-vivo

Você me rasga a pele
Corta com a língua
Definha meu corpo
Você me humilha

Você detona meu cabelo
Finge que dá conselho
Você é meu escárnio
O dedo grudento de alho
Você é nojento pra caralho

Você destrói minha autoestima
Me faz passar fome
Você me finge e me xinga
Me morde cru e me come

Devora inteiro meu rosto
Boca, pés, pêlos, pescoço
Maltrata até mesmo o morto
Você não respeita a paz do outro

Já se tornou comum ser odioso
Não se importa sobre quem será
E sobre quem pode ser
Apenas importa causar desconforto
Ser o inimigo do meu prazer

E quando olho de novo pra você
Olho com um ódio no seu olho
Percebo que nunca foi o outro
E vejo minha imagem, no espelho
Esmorecer

O que há de errado com ela?
Por que está tão sem brio?
Ela deveria ser agradecida
Ele não deveria ser tão sombrio
Agradecida pelas oportunidades
Da vida
Como sempre, olhar gentil…

O morto-vivo que nunca desistiu
Incansável na sua procura
Sem sede, sem fome, sem vontade
Confundindo usura com vaidade
Sem pensar…
Não pensa a criatura

Só segue em frente
Sempre na busca
Com a fome de mente
Faminto pela busca
Não cuida de si e nem mais sente
Só cuida da busca
Morreu no meio dela
Numa determinação tão potente
Que o segue no pós vida

___________________________________________________________

Eu não estou sendo muito agradável comigo esses tempos. Eu preciso de um terapeuta novo e novos objetivos de vida. E me perdoar.

Náufrago

Estou cansado
De insistir em estar errado
Subjugado
Maltratado
Machucado, ferido de fato
Perdido, no meio do mar
Largado

E sinto um náufrago
Que navegava os mares do conhecimento
Sem saber
Que subia as ondas da mente
Que pescava peixes por prazer
Peixes conscientes

Eu não saberia dizer
Não sabia que sou/são inteligentes

Me sinto um náufrago
Pois não sabia navegar esses mares
Nunca naveguei
Mas fui com a garra, cara e coragem
E naufraguei

Me perdi entre o controle do barco
E a direção que estava seguindo
Me sinto perdido no meio do caminho
Eu sei aonde quero ir…
Certo?
Agora que sendo no meio do nada
olhando as águas da praia
Nada me parece concreto

O som do mar é o que mais ouço
Eu ouço me chamar para navegar de novo
Meu barco está meio maltratado
Mas é quase novo
Eu poderia engatar
Ir para o mar sem virar o rosto
Mas meu estômago embrulha
E acaba pesando meu corpo

Que caminho eu deveria traçar?
O que seria melhor?
Já não posso desistir de velejar
Mas também não posso fazê-lo só

Estou naufragado
Com um medo retado do mar
Agitado, enevoado
Que resolvi me jogar

Se ao menos tivesse bússola
Tivesse um mapa
Tivesse ajuda
Lembro dos conselhos de um amigo
Consigo na ilha do náufrago fazer um
Abrigo
Mas não é suficiente
Eu quero sair desse lugar perdido
Esquecido por deus
E voltar para meus objetivos

Jogo meus dados
Rezando pela sorte do dia
Quando eles me derem um bom resultado
Eu erguerei novamente o barco
E seguirei meu caminho
Rumo a meu destino

Qualquer que seja esse, de fato

Tesão e Agonia

Até quando o tesão vai curar
A agonia do meu peito?
Movo montanhas e quadris
Movo pernas pra dar um jeito

Mas a agonia não sai do peito

Eu sinto o prazer em meu corpo
Vibro com ele por inteiro
Seja ele momentâneo, brincadeira
Ou verdadeiro

Eu me faço desejo
Eu o compro, vendo
E alugo à endereço
Mas nunca por dinheiro

E sou feliz sem medo
Me jogo, me revolto
Me tensiono, relaxo e melhoro
No final olho pro espelho
Estou sorrindo,
arfando o peito

Desperto de uma vontade
Inegável
Chego perto para pedir mais
E sentir seu corpo colado

O prazer preenche o ar
Seu cheiro, nosso gozo
Desvio o olhar
Pra você não ver que eu achei gostoso
Divino, delicioso

Feliz antes que a agonia torne tudo oneroso

A agonia do meu peito tem sentido
Tem uma vontade própria
Ela segue um instinto
Eu sou uma vontade risória
Sou um fiapo de destino
Em meio à teia fios

A agonia me remete a problemas
Que cuidar sozinho eu não consigo
Preciso de terapia
De um ombro amigo
Queria que alguém pudesse se ver
Comigo.

Por receio
Eu acho que tenho medo
Eu nunca fui de amar direito
Mas o sexo eu já respeito
Já me conecto
Já sou esperto
Crio as regras e as leio

E essa agonia do peito
Ela faz parte da vida
Ela não tem hora pra chegar
E nem partida
Ela me provoca sobre meus problemas
E também me motiva
E no final eu sempre acho uma saída

O sexo é temporário
A agonia é contínua
Talvez eu me case com ela
E me dê o controle de minha vida

É difícil sentir isso

Tem algo de errado?
Não, não tem nada.
Nada, nada, nada
Fixo meus olhos na estrada
Tentando desviar meus pensamentos

Eu deixei minha mãe desolada
Chorando em casa
Enquanto voltava para meu lar
Os pensamentos voltam a embrulhar…

Nunca fui capaz de escrever sobre isso
Porque eu tinha medo de te fazer algum mal
Mas o mau está no não dito
Que corrompe a confiança
Que me deixa aflito

Eu a deixei chorando
E meus cachorros latindo
As plantas no jardim crescendo
E meu ventilador eu esqueci zunindo

Já nem sei o que sente por mim
Se é orgulho o frustração
Se sente culpa ou sente perdão
Eu me sinto confuso com tudo
Como se seu amor fosse ilusão

Sim, sinto que a senhora não me ama
Ama uma imagem que construiu de mim
E a reafirma sempre que pode
Sempre que está afim
Para as amigas sentirem inveja
E para que você possa sorrir

É um orgulho mesquinho
Dependente dos outros
Sem aproveitar com os filhos
É vazio de sentido
São muitos os rostos
Mas são poucos os amigos

Eu destruo essa lógica
O mau eu levo comigo
Guardo no bolso meus defeitos
E meus acertos eu deixo pelo caminho

Não sou o melhor do mundo
Mas sou bom em ser eu mesmo
As minhas conquistas eu mereço
E na boca dos outros sou assunto

Pois que falem

Retiro o poder de todos vocês
De escrever minha narrativa
Eu estarei escrevendo
linha por linha

Mas hoje eu não estou podendo
Pois deixei minha mãe chorando em casa
O chão estava em brasa
O calor me queimando por dentro

Eu deveria voltar
Não deveria sair de lá
Deveria abraçar ela enquanto dá
Mas não consigo

A decisão de me mudar faz tempo
Não foi nesse março e nem no outro dezembro
Peço por isso desde que me lembro
Quando pedi abrigo e recebi castigo

Nunca pude confiar em ninguém
Pessoas de uma moral densa
Um julgamento e um desdém
Sempre pode falar o que pensa
Se for com a intensão de tolher

Mas eu não pude ser vocês
Eu sou um campo de relva ao vento
Eu sou o cheiro de terra molhada de chuva
Eu sou meu próprio veneno
E eu sou minha própria ajuda

Das vezes que eu chorava no banheiro
Ou quando estávamos viajando
Das vezes que eu escondi o segredo
Ou das vezes que eu só estava amando

Eu estive sozinho

Estive só quando sofri preconceito
Pra voltar pra casa e ouvir mais do mesmo
Só era eu quando fui exposto à doenças
E escondi os remédios temendo desavenças

Das vezes que eu tive que me virar
Que aprendi nas ruas o que ninguém pôde me ensinar
Eu pude fazer muito sozinho
Tentando trilhar meu próprio caminho

Me frustra saber que eu tentei te amar
Confiar em vocês
Poxa, eu tentei muito conversar
Criar uma relação estável entre iguais
Mas o que você fez?

Você negou minha confiança
Fugiu da minha mão
Que a esperava desde criança
Nessa imagem de ícaro
A senhora não tolera o Ícaro verdadeiro
Que é sensível e é direito
Não, a senhora não suporta vê-lo

Não quero apontar dedos sem sentido
Enterro a culpa e queimo seus resquícios
Planto o amor em outro lugar
Para que floresça sem parar

Eu quero agradecer pela segurança
Por sempre me lembrar que eu posso
Ser a voz da minha esperança
Obrigado por me sustentar desde criança
Por cada refeição feita com amor
Por cada beijo e cada dor
Não há “obrigados” no mundo que possam transmitir
O que sinto pelo tempo que passou

Eu a vejo como inspiração
Uma mulher que não tinha nada na mão
Além de deveres, de irmãos
E de uma beleza que até hoje
Deixa marmanjo no chão
Podia na época não ter certeza
Mas a senhora conseguiu criar um império
Um reinado
Apenas com o que tinha nas mãos

A senhora é sem igual
Uma inteligência anormal
Uma certeza move montanhas
E uma dedicação sensacional

Só peço para que cuide de si
Porque não sei o que vai ser de mim
Se eu te perder um dia

Sim, sou blindado.
Sou independente, sou miserável
Mas a senhora é meu ponto fraco
E, quando a deixei chorando
Chorei também.

Por isso não me veja como fardo
Não quero ser seu objetivo
O que te faz viver
Ou o único a seu lado

A senhora vai viver muito muito mais
E eu espero que viva sempre
Pensando em seu bem
Seu, e de mais ninguém
E com a certeza
De que, mesmo dolorido
Estarei ao seu lado

Em cima da moto

Tem algo de errado?
Não, não tem nada.
Nada, nada, nada
Fixo meus olhos na estrada
Tentando desviar meus pensamentos

Eu só lamento
Que você precise ser assim
Alguém que me vê como animal
Que precisam mandar em mim
Pra se ver feliz
Sem pensar que está me fazendo mal

Seu hábito de se machucar
Para me machucar
Não é normal

Eu lamento a minha partida
A decisão foi tomada há anos
Ela foi fria e comedida
Foi calculada,
Como uma moto andando na pista

Eu não vou olhar para trás.

A decisão foi tomada lá atrás
Quando me fez chorar demais
Por eu ser quem eu sou
Me fez me esconder até hoje
De várias formas me desconsiderou
Ousou me tirar da família
Algo que eu nunca pediria

Agora é meu momento de despedida

Fazer parte de seu tribunal
Já não me satisfaz
Não sou o culpado ou o vilão
E muito menos seu capataz

Das suas mãos a minha história
Se desfaz
Eu a realinho e monto meus ideais
Vou me construir
Mesmo se você não me queira mais

Eu sou meu próprio abrigo
Sou capaz de tudo,
Sou amável e sou meu carinho
Eu sou bom, por mais que não acredite
Eu sou certo, esperto e gentil
Sensível até o último fio

E faz-me chorar

Não quer que eu me vá?
Oras, pois pensasse antes
Não vês que sofro a cada instante?

Eu tentei construir pontes
Mas você as derrubou
Eu confiei acordos de paz
Falei de mim até demais
Mas, sem aviso, você me atacou

Uma, duas, três, quatro, cinco, dez…
Não sei mais quantas vezes

Por isso eu estou indo
Mesmo chorando

Pois mesmo a decisão correta
Mesmo o planejamento certo
Mesmo a moto andando na reta
Ou o plano feito pelo mais esperto
Não estão preparados para isso

Não fui feito para machuca-la
Não quero incomodar com minha saída
Indesejada
Mas eu não quero morrer pra te fazer feliz
Não vou definhar contigo

Peço para que cuide de si
Rezo por isso
Para que viva sua vida sem mim

E no final eu te entendo nisso
Porque eu sei quantas vezes eu não tive forças para seguir
Eu sei quantas vezes eu não via caminho no futuro
Quanto tempo desperdiçado chorando no escuro
porque eu não sentia que podia nada no mundo

Mas eu precisei me reinventar
Não sei se foi a terapia
A morte de Clara
Ou só o tempo passar

Eu precisei de algo para me acordar
E agora eu não posso mais parar

Então eu para você eu peço cuidado
Que cuide da saúde
Que deixe o orgulho de lado
E caminhe com o amor guardado

Quanto para mim eu peço desculpa
Peço um sincero obrigado
E eu peço que me respeite
Que respeite todos meus amados

Eu não vou mais quebrar pra fazer você feliz

Lembrando para quem esqueceu

Eu não quero o bom dia
Boa tarde
Eu não quero a mensagem isolada
Não quero saber de você sem vontade
Não vale vindo de uma pessoa
se sentindo obrigada

Não quero.

Eu quero que venha
Mas que seja num lugar de cuidado
De carinho

De amado
Não quero voltar ao passado
Não quero ser deixado de lado
Jogado
Desencontrado
Sozinho…
Não posso ficar calado
Aceitar o fato
Não perguntar retado
Qual o problema da situação?
Apesar de rachado
Sinto que precisa ser falado
Não quero te perder em vão

Essa é a minha insegurança.
Esse é o meu fardo.
Eu gosto de me sentir especial
Eu gosto de ser lembrado.

Novamente:
Não vou força-lo
Não quero que seja obrigado
Quero que venha do convívio
Que o amor brote com isso
Comigo
Contigo

Que possamos fazer o impossível
Conquistando um dia de cada

Vendo os vossos sorrisos

Sentir-me querido

Me pergunto o que estou fazendo
Bebendo a cicuta
Provando o veneno

Me pergunto o que tô fazendo
Correndo como nunca
Sem escutar o vento
Sem senti-lo em minha nuca
Sem cansar, sem momento
De parar

Me pergunto o que tô fazendo
De cartas várias
Demonstrando sentimento
De vazios muitos
E poucos preenchimentos

Eu não sei mais o que tô fazendo
Me jogo a toda na lava fervendo
Que me engole como um todo
E depois devolve, à contragosto

Eu não sei o que tô fazendo
Continuo a beber o veneno
Mesmo sentindo seu gosto
Mesmo sabendo o destino doloroso

Por que eu estou fazendo?
Por que andar contra o vento?
Por que provar o veneno?
Pra quê derreter na lava
Noite a dentro?

Sinto não merecer o que estou fazendo
Eu me sinto ingênuo
Como em Platão, os habitantes da caverna
Vendo os desenhos
Eles tocam as sombras e não sentem tocar
Eles ouvem os barulhos e pensam imaginar
Eles sentem os cheiros…
Mas mesmo quando se viram e saem da caverna
Negam a realidade
Para sentir de novo o frescor da parede
Ante o seu toque

Eu já não sei o que estou fazendo
Se me quer
Por que não me conheces?
Se me tocas
Por que não me queres?
Se me diz amores
Por que me entristece?

Por que me deixa com medo?
por que me esquece?

Me pergunto o que estou fazendo
Se eu sou jovem demais para o agora
Ou se eu só não mereça o que sinto
E deva jogar fora.

Me sinto um idiota.

Subo bem alto
Aonde coloquei seu pedestal
Olho para baixo,
Com a pretenção de me jogar
Piso em falso
E derrubo você no lugar
Me jogo involuntário
Com a pretenção de te salvar

O que eu estou fazendo comigo?
Abro minhas asas e traço meu caminho
Plano para baixo, assisto o sol cair
Sozinho.