I don’t mind where you come from
As long as you come to me
I don’t like illusions I can’t see
Them clearly
O sentimento de vazio
Sentimento de solidão
Um Sofrimento bem cristão
Como se um buraco abrisse
E engolisse o sentimento bom
Como se a terra não tivesse perdão
Sofrer por viver é inevitável
Então porque não tornar isso claro?
Demonstrando sempre que estou revoltado
Viver pelo que sinto sem limite exato
A opinião dos outros… Jogo no saco
Roupa preta e maquiagem barata
As unhas bem mal pintadas
Um fone que salva o mundo
Não pode dar vazão aos absurdos
A cabeça toda complexada
Absurdo é o que não falta
Aonde estamos indo, ente?
Não nos calaremos a barbárie
Seremos sempre irreverentes
Mas o objetivo não é o mundo
Mas salvar a nós mesmos
Que sabemos lá no fundo
A guerra transformou tudo em esmo
Não há mais verdade
Que emita confiança
Nem mais um futuro
Que possa servir como esperança
O que temos hoje é nós
A arte que gostamos
Um artista e sua voz
Mergulhamos na autodestruição
Procurando um sentido da vida
Em meio a mentiras e enganação
Mas esse desafio parece não ter saída
Uma gota é uma enchente
E uma brisa se iguala a furacão
Não tem como um adolescente
Amadurecer rápido e com noção
Finalmente, digo o que é emo
É sentir o gosto do veneno
Viver a noite no sereno
Românticos se sentem plenos
Sabendo que pegamos seu lugar
O veneno é letal, mas não se assuste
É necessário entender a morte que ruge
As crises existenciais assombram a noite
Cada um com as técnicas, evitando a foice
Porém alguns não a evitam
Cedem ao desejo dos demônios
Sussurrando em cada ouvido
Dedicam àquela vida um último suspiro
Esses são os mais fortes
Os destemidos
Mas cabe aos emos segurar
O peso de sentir o sofrimento
Estuda-lo e entrar em consenso
Com os fantasmas a te puxar
Estes, os emos, são guardiões
Que guardam para os vivos
Os pesados e imensos portões
Entre o “definho” ou “sobrevivo”
Categoria: Poesia
21 – Monstro
“Cuidado, fofinho, cuidado ao andar
O monstro da rua, ele vai te pegar
Cuidado, fofinho, não ande sozinho
O monstro da rua não te faz carinho”
Corpo emplacado com ossos
Dentes como navalhas em sua boca
Olhos penetrantes, voz bem rouca
Isso chegará em ti
e não adianta os esforços
O ente caminha altivo, reverente
O sol a pino ou ele ausente
Não interessa mais a claridade
A criatura sente pelo temor sua autoridade
Dizem que, se olhar bem nos olhos
Brilhando tão amarelos como girassóis
A criatura fala e repete em sua cabeça
“Estamos com fome. Alimente-nos”.
Tome cuidado, criança ousada
Tome cuidado para não ficar só
Pois sozinha a sorte está dada
Mas acompanhado é melhor
Basta trair os companheiros e fugir
Ela não nega, finge e nem mente
Ataca-o diretamente em sua mente
Entorpece seus sentidos mais primais
Os poucos segundos já são fatais
Monstro de mil e uma lendas
Descrito como um ser sútil
Inédito e imprevisível apenas
O medo pode ser uma arma útil
20 – Brilho
Os adultos conseguem perceber
O brilho nos olhos da criança
E, agindo como quem quer vê-lo,
Manoela já assumia a liderança
A confiança em sua atitude
Tornaram suas palavras em lei
Abençoada foi por sua virtude
Logo disse para os moradores:
“Aqui eu não morrerei”
Logo depois procurou o templo torpe
Pois via em seus sonhos suas palavras
“A guerra está chegando, então te preparas”
O coração sentia um medo uniforme
Mas a cabeça a assegurava
Não mais importavam as batalhas
Cresceu em meio a soldados da fé
Mulheres ágeis e indecorosas
Umas com cicatrizes da cabeça ao pé
Outras imponentes e misteriosas
Todas guerreiras sempre preparadas
Os inimigos precisam ser eliminados
Sejam eles reis, magos ou outros soldados
Todos arrasados após a missão dada
E Manoela se tornou Gloriosa
Das mais fortes, a furiosa
Das mais místicas, a santificada
Ajoelhem, Manoela está na estrada
Guerras não passavam de títulos
Honrarias para seu nobre espírito
Triunfos consecutivos inflamavam templos
Mas havia algo diferente em seus pensamentos
Aquilo não era o suficiente para ela
Honrarias não resolveriam o problema
Era preciso alguém investigar o dilema
Esse alguém teria que ser Manoela
Traçou rumo ao norte a carroça
Atrás dela, apenas duas cavaleiras
Alahim e Rejene, grandes escudeiras
Juntas eram as verdadeiras gloriosas
Não havia nada que Manoela não possa
Mas todo herói possui sua derrocada
O confronto começou muito cedo
Armadilhas estavam bem preparadas
E não teve mesmo jeito…
Agora presas pelos seus captores
Ainda renderam uma boa luta lá atrás
O líder, furioso, mostraria do que era capaz
Elas seriam julgadas pelos Redentores
Redentores apareceram mal vestidos
Sem metal, apenas couro e tecidos
Elas não entendiam o que estava acontecendo
Mas Manoela de alguma forma sentia arrependimento
O que eram aquelas guerras que lutavam?
Ela queria proteger os inocentes
Armas nas mãos não os fazem indigentes
Por quais entidades eles se motivaram?
Essas perguntas nunca foram bem-vindas
Elas enfraqueciam as forças de luta
Era necessária a contínua disputa
Mas neste ponto desculpas não garante a saída
Os Redentores chegam perto delas
Falam entre si numa língua nunca ouvida
E repetem em uníssono para elas:
“As trilhas seguidas pelo caminho da vida
Dependem, antes de tudo, de nossas ações
Você, Manoela, usou o poder sem remediações
Ceifou jovens, adultos e idosos como diversão
Temos ciência do erro tomado, temos noção
Portanto, tu serás recebida.
As outras, irão para a execução”.
Manoela entrou em choque por um momento
Ao abrirem as grades, ajudou as guerreiras
Não iriam matar suas companheiras
Esmurrou quem podia para parar o evento
Mas, como um transe, tudo ficou sonolento
Última vez que as cumprimenta….
Sonhou com vinhas
Uma floresta inteira em volta
Olhar pra cima não adiantava
Tentou procurar alguma rota para casa
Se perdia cada vez mais enquanto andava
Chegou misteriosamente em um vale
O rio corria fino como uma fresta
Atrás dela, ouviu uma voz na floresta
“O chamado foi escutado, mas algo deu errado.
Quero que se defenda, então fale:
O que você não tem pensado?”
O sangue gelou em seu coração
A voz era a mesma que ouvia quando menor
E se viu acenando em compreensão
Ela foi enganada por temidos charlatões
A justiça que vendiam não servia ao mundo
Mundo este que não procura confusões
Mas sim a luz que existe lá no fundo
Ao acordar, Manoela se calou
Ela estava em um gramado
Não havia ninguém
nem nada
de nenhum lado
Com fogo nos olhos, se levantou
E sabia qual era seu fardo
Refez sua vida em pouco tempo
Treinou até estar bem preparada
E então voltou àquele templo
Chegando lá, foi recebida com aplausos
Os planos de vingança já estavam arrumados
Mal esperavam pela gloriosa Manoela
Destruindo a reputação que construiu com guerras
Pediu a rendição para todos os líderes
O pedido foi negado
Seus olhos recuperaram o brilho de pequena
Sozinha, subjugou um dos arrombados
Seu nome era Zenyas, líder dos esquemas
Matou-o em nome daqueles outrora ceifados
O amor se transformou em ódio num segundo
Ela mal conseguiu sair viva daquele reduto
QSentiu toda a solidão e tristeza do mundo
Guardou esse sentimento para uso futuro
Se escondeu em uma floresta distante
Encontrou-se um druida de nome Kerpito
Que adorava ser um rato falante
Ele a ensinou o que ela havia perdido
A conexão entre ela e o divino adiante
Hoje ela visita cidades esporadicamente
Para observar as pessoas e o dia-a-dia
Comprar equipamento, falar com gente
E até que é boa nisso,
Apesar de não ser muito sabida.
19 – Infectar
Juro que não é culpa minha
Um desejo não deve ser escondido
Vocês podem me ver como bandido
Mas eu ainda nem passei a linha
Sabe, a violência é contagiosa
Contagiante sentimento de poder
Deixa a pessoa bem poderosa
Se souber como proceder, claro
Eu sou a solução para essa sociedade
Um ponto final em todas as discussões
O que eu fiz foi a pura amostra de vontade
Minha e de outros em certas ocasiões
A verdade é que somos todos podres
De uma podridão que envergonha deus
Deus que abandonou os pobres
Pobres que outrora foram filhos teus
E agora choram aos meus pés?
Pedindo para parar de ser eu?
Eu estou dando uso a esse manés
Àqueles que um destino deus já deu
E por que a deus não cabe a prisão?
Prendam-no e deixem-no lá
Sua bondade é uma invenção
Benevolência que devora carcará
Somos onipotentes nós mesmos
Eu vos mostro isso o tempo inteiro
Mas vocês morrem de seus medos
Não aproveitam a força… Tão…
Incompletos…? Meeiros…?
Então vos darei uma chance
Provem para mim sua dignidade
Destruam sua própria vida
Ou as dos outros, por vontade
18 – Corromper
O objetivo é o poder
Um, dois, três, quatro…
Agora você vai perder
Pense sobre você
Uma arte? Um quadro?
Você vai se perder
Eu vos avisei a tempo
A inocência não é desculpa
Corrupção te acerta o peito
Culpa é inteira sua
Roubo-lhe a atenção
Leia mais, tolinho
Caindo caindo facinho
Envolvido com afeição
A ira faz mal, cordeiro
Consome sua alma
Fará seu prisioneiro
Manipulo você como um trouxa
Há quem valorize sua imbecilidade
Eu, por exemplo, me sinto à vontade
É que eu gosto do controle, poxa…
E você continua lendo
E você continua ouvindo
Saindo de seu senso
Sendo obediente…
Que lindo…
Um, dois, três…
Acabou.
17 – Destruição
Desfaço meus planos
Disfarço meu interesse
Passam-se os anos
Fiz isso já muitas vezes
Destruo toda rotina
Os planos não dão certo
Ah, o erro é minha sina
Dessa vez foi tão perto
É sempre a mesma história
Como a qualquer um, simplória
Nada de novo sob o céu
As nuvens o escurecem como véu
Transformando a escória
Fazendo possível deles sonharem
Como um futuro mel
Ah, mas se eles soubessem…
A agência é uma mentira
Sei o caminho que cheguei aqui
Ele não foi descoberto por mim
Já havia uma trilha
E, no fim do dia, até eu me perdi
Eu não consigo fazer dar certo
Começo bem com romance ou estudo
Tudo é positivo em um segundo
No outro, completamente obscuro
Me vejo olhar um deserto
Um deserto por solidão
Um deserto de compreensão
Assim eu sigo, sozinho
Assim eu tenho, e definho
O engraçado é que sou eu
A culpa é toda minha
Eu que não fui um Romeu
Eu que não sabia a linha
Não sabia como me definia
Toda responsabilidade não tinha
Destruo-me todos os dias
16 – Café
Tomo um copo de café
E mais um
Eu quero você de volta
Você não é qualquer um
Recupero uma energia
Desabo a chorar
Não consigo mais agir
Ia tentar te contatar
Mais um copo pra dentro
E penso no nosso passado
Não entendo muito do errado
Espero não ter te machucado
Ali você era meu centro
Eu, amargo como o café
Não gosto de falar de amor
Nem sei mais o que é
Ainda assim, gasto meu vigor
Aqui nas páginas
Para falar de você mais uma vez
E eu tinha esperança, poxa
Que ingenuidade a minha
Não que você me faça de trouxa
Na real eu preferiria
Eu só não sei lidar…
Um sentimento nutrido
Por tanto tempo é doído
Quando há desencontro…
E eu sigo com mais um copo
Cerveja
Café
Água
Suco
Mas nada me enche mais
Como um dia você foi
Mas você não é mais capaz
De preencher esse vazio
15 – Metalinguagem
Penso, penso, penso
Sobre o que eu vou falar?
Talvez um amor imenso?
Não… Odeio essa temática
Talvez sobre as dificuldades
Essas a vida me dá de montão
Mas pra que mais de novo então?
Botar em outro lugar essa vulgaridade?
Eu sei que decerto eu mereço a autoridade
De falar sobre a minha vida
Posso ter a verdade garantida
Não interfere na minha integridade
Mas, ao transformar em texto
Perco no discurso
Na hora saio do eixo
Palavra atrás de palavra eu uso
Formando todo um contexto
E acabo caindo no buraco sem fundo
O consciente briga de volta
Ele quer o poder de não pensar
Mas a escrita sempre vence
Ela quer me representar
Marionete dos dois eu movo
Pauzinhos que batem sem parar
Os fios que se enroscam e de novo
Eu continuo a balançar
Eu não sei mais o que estou fazendo
Meus dedos batem na tela sem parar
Eu sei que estou escrevendo isso
E ela sabe que vai ter que parar
Antes que eu possa voltar
Antes que eu me sinta só
Ela ainda me deixa um último
Pensamento:
“Você é meu e eu nunca vou te deixar”
E eu respiro com alívio
Porque não sei mais viver sem ela
E ela some enquanto vivo
Mas quando desligo
Ela se apodera de minhas mãos
14 – Olhos demais
Existe um deus que me olha
Desde criança até por agora
Sabe meus gostos, viu minha
Melhora
Esse deus está me matando
Por dentro e por fora
Existem pessoas que me vêem
Olhos cheios de violência latente
Ansiosos por decidir quem é gente
Olhos que falam, olhos que mentem
Vejo também olhos de preocupação
Olhando o além ou até mesmo o filho
Olhar de carinho, de sonho ou proteção
Esses são os que fortalecem, os que brilham
Do amor ao sentimento deturpado
Aquele que busca uma objetificação
Olhos pedindo uma aprovação
Esses daí eu nem fico preocupado
Não vão andar do meu lado
Eu vejo olhos vendo olhos eu fico vendo olhos e olhos me vêem
Eu não quero mais nada de ninguém
A deus, ofereço meu escárnio de sua inexistência
Aos que odeiam, se cubram ante minha presença
Ao fraternal, que um dia eu possa retribuir
Aos que usam, vocês não passam daqui
Agora eu posso me ver
Possuo uma boca pra falar
Possuo olhos para enxergar
Um corpo para poder ser
Não preciso mais de outros olhos
E se secarem ao vento, pode deixar
Eu molho
Vocês são pontos de vista
São meros analistas
Eu posso viver longe disso
Vou aprender a lidar comigo
13 – Consciência
Sob o olhar do espírito redentor
Minha alma se orienta
Não há um caminho sem dor
A vitória virá, mas é lenta
Eu demonstro capacidade
Eu sei de assuntos e converso
Eu passeio fácil pela cidade
Mas há um detalhe disperso
Em meio a esse emaranhado
Controverso
Será que eu sou eu o tempo todo?
Quem será que controla meu corpo?
Eu realmente sou bom o suficiente?
Eu tenho controle de minha mente?
Há momentos em que eu desligo
Eu falho em manter “Ícaro” vivo
Os sistemas em pane, não consigo
Mantenho um olhar meio evasivo
Medo de não ser tudo aquilo…
Porque eu sei que possuo o saber
Eu li o assunto, soube escrever
Mas o pânico sobe na hora H
Eu não consigo mais comunicar
A luta é com o consciente
Constantemente, enervante
Não sei se é cansaço ou ansiedade
Nunca fui cuidadoso com essa parte
Mas o eu cobra de mim na hora
E eu, desesperado, desisto.
Saio fora.
O espírito redentor não me abençoou
Perdi a fala, perdi quem eu sou