Dia 20: Rejected

Você pode não acreditar em mim,
Talvez achar que sou louco,
Mas eu juro para você:
Existe um monstro no meu quarto.
Eu o vejo quase sempre,
mas, esperto, ele se esconde.
Quando amanhece, ele vai dormir.
Quando anoitece, ele sai da toca.
Toda noite aterrorizando a mim,
criando terrores e assombrações
minha imaginação não seria capaz.
Ele é esguio, como um espantalho.
Ao vestir as roupas, ele ganha poder.
Seu poder é o maior possível:
Enjaula-me dentro dele.
E, por mais que eu pense,
não acho saídas dali.

Talvez Ícaro esteja perto de mim
Talvez seja agora o monstro a digitar
Não duvidaria de nenhum assim,
Caso alguém fosse me perguntar.

De qualquer forma, sou dramático
O que seria viver sem intensidade?
Mas cá no fundo, não sou enigmático
Nem sempre tenho uma finalidade

Essa história eu criei bem assustado
Porque não consigo mais viver esse medo
Sem avisar quem está ao meu lado

Mas não quero ajuda ou palavras de conforto
Quero cuidar disso comigo mesmo
Quero ser meu próprio porto.

Dia 19: Hesitant

Sei exatamente o que dizer
Conheço meus sentimentos
Escrever é o de menos
As palavras fluem para o texto.
No enanto eu demoro tanto
Mas tanto para me libertar
Dessas dores acumuladas,
Desse desespero pessoal.
Sendo que é só eu escrever aqui
E tudo vira ilusão menor.
Se eu só escrever o que penso,
eu não preciso sofrer tanto.
Mas cruel é a lua da noite com poetas
Entendo, pela única vez, Göete
Que segurou tão forte
uma sensação tão fútil
Tal qual eu, com minha tristeza
E sentiu-a.
Sentiu até que não sobrasse nada.
Somos reféns dessa dor,
Agonizante e gostosa,
Porque precisamos sentir algo
Para viver, escrever.

Dia 18: Peaceful

Outra taça quebrada

E mais uma culpa bem aqui.

Mais uma vez o coração comido,

e mais ninguém comigo.

Sabe, o fundo do poço,

Temido e odioso,

é o caminho mais rápido de chegar

e às vezes, sinceramente

é melhor deixar pra lá.

Respirar e caminhar à toa.

Quem fia as linhas do destino

é quem sabe onde estaremos.

E que nós, meros mortais,

Entendamos nosso lugar

De contemplação e respeito

À nossa vida e ao mundo.

Desafios sempre existirão,

Cabe a nós viver bem.

Pés firmes para nos cuidar,Cabeça solta para imaginar.

Cabeça solta para imaginar.

Dia 17: Anxious

Se ao menos eu pudesse
dizer a vocês como me sinto.
Se pudesse ao menos fazer
com que esse turbilhão
fosse traduzido em palavras,
vocês entenderiam e me abraçariam.
Eu sei disso.
O céu e o inferno não existem
como futuro incerto dos pecadores…
Eles existem em minha cabeça
enquanto eu vivo agora.
Apenas me deixem só.
É muito mais fácil para mim isso:
Lidar comigo só do que os outros…
Expectativa é um dos motivos
Não vou dar esse poder à vocês
Porque me amo mais.

Dia 16: Nauseated

Éramos nós contra o mundo
e eles tentavam demais.
Eu, o covarde chorão.
Você, o corajoso inconsequente.
Nossas histórias transcendem
tanto as eras quanto as fofocas.
E eu te amava de verdade.
Os dias eram semanas,
e as semanas passavam
como horas em um relógio.
Poderiam existir uma infinidade
incalculável de músicas românticas,
mas nada vai me fazer
cansar de você.

Dia 15: Annoyed

Na primeira vez não escutaram
Eu podia espernear, soluçar
gritar até perder toda a voz
mas ninguém ia ouvir.
A segunda vez foi diferente:
riram de mim, simplesmente,
como se fosse óbvio aquilo tudo.
A terceira foi num tom cansado.
Ninguém mais tem paciência,
nem tempo e nem vontade.
Acabou de ser a quarta,
e eu quero que seja a última.
Meu erro foi buscar nos outros
o que tinha que existir em mim.
Só minha expectativa
conseguirá me frustrar assim.

Dia 14: Optimistic

Ao olhar para as ruas, caos.
Pessoas lutando contras as outras
até mesmo na luz do sol
por nacos de comida suja.
Procuremos por respostas
e estas estão na formação e na história!
Séculos de ignorância com o povo.
Séculos de arrogância contra nós.
Refletindo onde está a educação,
princípio formador dos brasileiros?
Não, uma grande piada (risos)
ao chegar às escolas,
adolescentes analfabetos
professores negligentes
organizações educacionais disruptivas
problemas que justamente existem
para contrapor nosso futuro brilhante
quase como de propósito.
Impossível ser otimista no Brasil.

Dia 13: Bitter

Agora vamos falar de romance
e romance com a minha vida,
pois já vivi tantos lindos
e ainda sigo com a alma ferida.
O primeiro foi engano, mas bonito.
O segundo foi bonito, mas engano.
O terceiro? Queria que eu me escondesse.
O quarto… O quinto…
Nenhum maior que dois meses.
Nem sei mais em que número estou.
Sinto-me só o tempo todo
Não por falta de um amigo que me deixou,
mas por querer que alguém me ame
reciprocamente.
Talvez eu viva sozinho, e tudo bem.
Assim como em minha música favorita,
eu não consigo aceitar o fim do amor em mim.
E o próximo número vai vir,
junto com a próxima decepção.

Dia 12: Powerful

O que nos faz heróis?
A sedução de todo dia, talvez.
Pense você, exausto do dia.
Somente querendo relaxar, mas
todos os dias são iguais.
Acordar se torna um pesadelo
porque viver não é prazeroso.
Ah, o prazer…
Sabe, eu os considero coitados. Sério!
Eu adoro o rosto deles:
grandes, pequenos, finos, redondos…
Todos… Implorando por qualquer atenção.
E eu, misericordioso, dou quando merecem.
São legiões de fanáticos!
Loucos demais para pensar,
presos demais para avançar
(seja pela sociedade ou pelos seus desejos).
São bestas aos meus pés,
bobos da corte que param com um aceno.
Entretenham-me, bobos. Entretenham-me.

Dia 11: Stressed

Uma pedra ou espinho
cutucando seu dedo no sapato.
Aquele pêlo do nariz rançoso
que cresceu demais e agora
coriza o tempo inteiro.
Uma unha encravada
logo no dedo apontador
de sua mão dominante.
Um cisco no olho,
pequeno demais para tirar fácil
sólido demais para ignorar.
A coceira debaixo da unha
que, quanto mais profundo você vai,
maior é a vontade de arrancá-la.
Minhas vísceras estão em comichão
ávidas pelo fugaz futuro.
Mas minha cabeça não aguenta,
cansada disso tudo.