Você pode não acreditar em mim,
Talvez achar que sou louco,
Mas eu juro para você:
Existe um monstro no meu quarto.
Eu o vejo quase sempre,
mas, esperto, ele se esconde.
Quando amanhece, ele vai dormir.
Quando anoitece, ele sai da toca.
Toda noite aterrorizando a mim,
criando terrores e assombrações
minha imaginação não seria capaz.
Ele é esguio, como um espantalho.
Ao vestir as roupas, ele ganha poder.
Seu poder é o maior possível:
Enjaula-me dentro dele.
E, por mais que eu pense,
não acho saídas dali.
Talvez Ícaro esteja perto de mim
Talvez seja agora o monstro a digitar
Não duvidaria de nenhum assim,
Caso alguém fosse me perguntar.
De qualquer forma, sou dramático
O que seria viver sem intensidade?
Mas cá no fundo, não sou enigmático
Nem sempre tenho uma finalidade
Essa história eu criei bem assustado
Porque não consigo mais viver esse medo
Sem avisar quem está ao meu lado
Mas não quero ajuda ou palavras de conforto
Quero cuidar disso comigo mesmo
Quero ser meu próprio porto.