Você me apareceu como pesadelo
Devaneio e pisco os olhos
Não consigo dizer se é verdadeiro
Você me apareceu como pesadelo
E eu luto contra a vontade de fugir
De sair dali
Escondo meu rosto do seu
para que você não possa
Me sorrir
Ah, seu sorriso…
Você me apareceu de novo
E quase que eu me assusto
Mas você agora era outro…
Deixou o pesadelo de lado
Agora era só um rapaz interessado
Bem galante, bem humorado
Bigode brilhante, sorriso lustrado
E a cara que não valia um centavo:
Mas sim, todo o real,
os réis e os cruzados.
Me acertou em cheio
Eu, que te vi como pesadelo
Agora vi a cores, carne e coração
Como um sonho quente de uma noite de verão
Você estende a sua mão
Me faz uma proposta irrecusável
Me pede para beber a água
Eu, um sedento miserável
Me pede para comer o pão
Eu, com uma fome de Erê
Em dia de São Cosme e Damião
Você oferece a luz
A mim, preso há meses na escuridão
Você estende a sua mão
E eu a devoro
Devoro seu braço
Antropofago tudo que cabe
E, se parecer que não cabe,
Eu encaixo
Nos seus olhos
A alegria
Em sua boca
A paz e tranquilidade
Em seu corpo
A agonia
E nós dois juntos
A liberdade
Assim, eu entendo
Que meu fogo lá de dentro
Ainda queima com vontade
Quando te revi aquela tarde
Quando te revi no teatro
Não esqueço de nós naquele quarto
Nem um dia sequer
Você me desejando com tudo que podia
E eu podendo realizar os meus desejos em meio à agonia
Que amor, que toque, que beijo…
Que vida, que me toca ao peito
Que cura ferida
Como fui tolo ao entender “pesadelo”
Minha cabeça quis dizer
“Ame-o por inteiro”