27 – Faz o que você quiser

Por aqui
Um abismo me invade
Sem fim
Me toma toda a vontade
De vir
De me abrir pra outro
Para sentir
Que o sentimento foi todo
Morto

Deixando as diferenças
Na porta
Para conversar contigo
De volta
Estranho não sentir mais sua falta
Não incomoda
Mas ainda sinto o frio das palavras
Que cortam
Ou cortaram quando me importava

Estou à toa
Ando na rua sem esperança
Cai a garoa
Me molho pensando na infância
Vida boa
Mas sempre distante daqueles presentes
Tempo voa
Consigo ainda sentir o amor quente
Mas decadente
Não sei se é amor ou vínculo dependente…

Por isso eu considero tanto a liberdade,
A escuta,
A vontade de estar ao meu lado
Isso nunca muda
Pois para amar eu sou controlado
Meticuloso
Tento me basear em fatos dados
Não nos outros
E por isso é tão doloroso pra mim
E confuso
Quando sou enganado de novo
E de novo
Por sentimentos obtusos

Não resta nada
Mas já foi o encanto amoroso
Não resta nada
E os momentos gostosos
Não resta nada
E a saudade das lembranças juntos
Não resta nada
E você sendo tão afetuoso comigo
Não resta nada
Mesmo o sentimento odioso
Não resta nada
A mágoa ou a chuva que caiu
E caem
Lavaram o sentimento
Sumiu
E não resta nada…

Não se perdoe
Não tenta voltar ao que era
Não me magoe
Não finja que você não sabia na época

Talvez eu te veja
Saindo com seus amigos por aí
Bebendo cerveja
Eu te olhe e nossos olhares cruzem
Você vai saber
Que o que eu sentia por você

Acabou.

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