Uma pedra ou espinho
cutucando seu dedo no sapato.
Aquele pêlo do nariz rançoso
que cresceu demais e agora
coriza o tempo inteiro.
Uma unha encravada
logo no dedo apontador
de sua mão dominante.
Um cisco no olho,
pequeno demais para tirar fácil
sólido demais para ignorar.
A coceira debaixo da unha
que, quanto mais profundo você vai,
maior é a vontade de arrancá-la.
Minhas vísceras estão em comichão
ávidas pelo fugaz futuro.
Mas minha cabeça não aguenta,
cansada disso tudo.