Um intervalo

Eu aceito o mundo não girar ao meu redor. Eu aceito as coisas não saírem da forma como eu planejei. Eu aceito estar errado mais da metade das vezes e, mesmo se eu tiver explicações, eu prefiro só aceitar a culpa. Eu trabalho comigo mesmo meus defeitos e sei reconhecê-los. Ainda sim eu sinto um furo no meu peito, um vazio que quase eu sinto ser literal por conta da minha respiração que vacila às vezes. Não sei exatamente porque eu sinto isso, mas eu simplesmente sinto essa angústia que incomoda tanto o tempo inteiro. 

Na verdade, eu sei o que é: sou uma pessoa carente. E eu assumi essa identidade, mesmo sem perceber e mesmo sem querer e é isso que as outras pessoas veem em mim – apenas carência. Por isso que eu sou chamado de fofo, por isso que eles me acham estúpido ou brincam tanto com meus sentimentos e por isso que eu também sou tão autodefensivo e inseguro. Se eu fosse menos carente e firmasse minha vida sob as bases do que realmente importa (minha vida profissional, meus estudos, meu futuro, pessoas que se importam comigo) eu estaria em um lugar diferente daquele que estou agora.

No entanto, eu não controlo esses sentimentos de insegurança, autodestruição e autodefesa. Eles simplesmente assumem quando eu abaixo a guarda, e faz tempo que eles não aparecem, justamente porque meio e fim do ano passado eu passei ocupado demais cuidando de mim e longe de pessoas que me faziam sentir como me sinto nesse exato momento. E agora que eu parei para pensar, esses sentimentos estão ficando fortes em mim e assumindo minha personalidade e eu, sinceramente, nem sei mais se me importo, mesmo eles me fazendo questionar toda a carreira que eu construí para mim durante 5 anos.

Palavras-chaves: Insegurança; Amizade; Autopreservação; 

Esse é um rabisco antigo de um amigo meu chamado Fritas que eu adoro de paixão. Com ele eu quase nunca me senti desconfortável. Um dia vou para MG vê-lo. Amo-te, Fritas.

Deixe um comentário