O cavaleiro

A honra se apaga na sombra do pobre cavaleiro…
Ainda se lembra quando era guerreiro
Polindo a espada
Inquieto e peralta
Quase nunca inteiro
Brincando de batalhas…

Pobre guerreiro,
Não lutava tão bem quanto seus parceiros
Nobres de alma e de dinheiro
O Guerreiro não os tinha desprezo,
Mas lutava de outro jeito

A malandragem era sua arma
Conquistou mais com sua lábia
Do que com a espada lustrada
Acertou corações de milhares
Mas não como esperado pelos militares

Guerreiro valente que conquista
Que fere as pessoas com sua partida
Que cumpria as missões que conseguia
Mas alterando para algo que o convinha

Onde está esse guerreiro agora?

Os anos se passaram,
Entre condecorações e difamações
As guerras o acabaram…
Medalhas, troféus, amores, canções
Nada preenchia o buraco
Nem o guerreiro sabia o que havia se tornado

Mas, para azar o guerreiro,
O povo respondia sem medo!
“Saúdem o nobre Cavaleiro!
Saúdem o nobre Cavaleiro”

O cavaleiro sem cavalo
Sem armadura
Sem sequer ter altura
Cavaleiro sem vassalo
Sem amor a acompanha-lo
Sem quem precise ser protegido
Sem amigo
Cavaleiro… Sem sentido.

Sob o sentimento de raiva
De dor e de confusão
O cavaleiro anda sua estrada
Apenas com o escudo e espada na mão
Não ri dos piratas
Não se esquece dos irmãos

Segue sua vida
Com a estrada
A espada
E o escudo na mão

Se apaixonar parece uma enrascada
Um monstro grande demais para deter
O cavaleiro precisa continuar seguro
Olhos firmes no futuro que quer ter

E para onde o cavaleiro anda?
Dizem que nem ele sabe
“Anda por andar”, é o que dizem
“Anda para não fazer bobagem”

Outros ainda acreditam no cavaleiro
Cercados pelas lendas de outrora
“O cavaleiro nunca desiste de um bom companheiro,
De um grande desafio ou de um isqueiro”
Inspirador ouvir terceiros…
Mas a projeção de suas conquistas
Já não pareciam cabe-lo…

O cavaleiro era corajoso
Forte, bondoso
Respeitava os outros
E cuidava de seu povo

Era consciente
Não fugia dos monstros em sua frente
Não lutava como antes, mas era muito experiente
E, para aqueles que precisam,
Ele era presente

O cavaleiro tinha medos
Ele guardava tudo em segredo
Os anseios, as noites de desespero
Monstros que nunca vencia por inteiro

Medo do passado era o primeiro
“E se eu não puder mais ser cavaleiro?
Minha armadura enferrujada
Minhas habilidades não valem nada
E meu corpo… Nunca foi perfeito”

“Eu nunca mudei antes
Sempre fiz o que eu quis
Não pensei nos outros
Amantes, amigos, família, afins
Que bondade é essa
Se ela só está virada para mim?”

O cavaleiro não sabia para onde ir
Fugir do passado ou perdoar a si?
A fada do tempo o abençoou assim:

“Que o passado seja somente seu
Que o futuro se consolide através do presente
E que você entenda do que é capaz de fazer”

O cavaleiro agradeceu
E dormiu,
Sem pensar num futuro seu.