Voltemos ao amor

O que é o amor para mim?

Eu tinha tanta dificuldade de pensar sobre amor. Quando pequeno, eu não achava isso importante porque em parte eu achava que era algo natural e que vem instantaneamente, então eu não precisava me preocupar com isso.
Quando eu cresci mais um pouco, percebi que amor é algo que se pode conquistar e brincar. Seria como um objeto que se joga, se rouba, se guarda e se doa.
Ao crescer mais, eu fui descobrindo que o amor está vivo. Ele é criado pelas pessoas. Ele respira, fala, anda e cresce. Ele precisa ser cuidado e precisa de atenção. Quanto maior o amor, maior o trabalho. E, nesse momento, eu me questionei se era bom amar. Se tamanha responsabilidade fazia sentido ter. Pois, por estar vivo, o amor também erra. Ele também machuca. E, quanto maior fica, também mais perigoso fica. Assustado, tranquei meu coração. Nunca sentiria amor de verdade. Essa parte da vida é muito perigosa, que demanda muita responsabilidade. Isso não é para mim

E eu vivi por mim. E vivi muito.
Cruzei mares e rios. Bebi como um louco.
Beijei diversas bocas. Trancei-me com diversos corpos.
Fudi gostoso demais.
Fudi horroroso também, e segui demonstrando ser capaz.
Capaz de viver, de me amar, de simplesmente não pensar na possibilidade de parar para amar.

Mas aí o amor me pegou. Eu percebi que viver é cansativo demais, e demanda uma rede de conforto. Demanda atenção. Demanda carência. Demanda vontade de escrever algo, de cuidar de alguém. De ser presente e lembrado, e de lembrar e presentear.

E então vivi o amor. Intenso como um raio e veloz como tal. O rombo que o raio faz no que toca, o amor deixou em mim. E o fogo que o raio causou… Queimando quase sem fim.

Até que um dia enfim se extinguiu.  E então eu pensei que deveria voltar a quem eu era antes: afinal o amor só se mostrou ser um desvirtuador de objetivos, amargador de bocas, destruidor de corações. É muito poder envolvido. Poder que eu não quero dar de graça. E Air Catcher de Twenty One Pilots que me perdoe, mas confiar não é possível.

Bom, eu pensei assim.
Hoje eu entendo que estou sendo bobo.
Eu amo músicas. Eu amo artistas.
Eu amo as cores do pôr do sol.
Eu amo minha comida. Eu amo comer besteira.
Eu amo passar tempo com amigos.
Eu amo também passar tempo sozinho.
Vendo o mar, escrevendo bobisses, bebendo vinho.
Adoro conhecer gente nova.
E adoro uma loucura.
Eu tenho muitos amores. Eu sou pra sempre meu.
Eu me amo mil e muitas vezes.
E, assim como eu me amo, eu consigo amar os outros. Eu consigo criar amor por arte e por meus amigos.
Por quem é próximo de mim e quer meu bem.
Eu sei que esse amor existe e eu posso confiar nele.

A partir disso, eu sei que também é possível que eu me apaixone. Que eu caia no conto de alguém. Que eu me permita criar algo por alguém que seja bonito e que me deixe feliz. Porque eu não mereço me limitar por conta de nada, nem de meus traumas e nem pelos outros. Porque antes de vos amar, eu me amo. E amo meus amigos. E minhas coisas favoritas.
Meu coração está recheado de amor e eu não posso ter medo ou vergonha disso porque, no final, eu não viverei de verdade.

Vou continuar sendo o Ícaro que não acha que “Amor vence tudo”, mas eu sou também o Ícaro que se permite a amar. Aos poucos.
Aos poucos.
Eu vou me soltando.
E aos poucos.
Aos poucos.
Eu posso amar de novo.

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