


As pessoas que me conhecem (ou conheceram algum “Ícaro”) já devem ter me ouvido falar que eu amo meu nome, que é uma lenda grega e/ou tem algo a ver com asas. Eu, quando pequeno, pesquisava o significado do meu nome em sites de “significados de nomes” e o meu era um simples “Filho de Dédalo”, sendo que Regina, por exemplo, significa “A Rainha”. Mas quem seria esse Dédalo? E por que meu nome é tão brocoxô? Sim, eu fui procurar a lenda e me encantei pelo meu nome.
A partir de várias fontes que eu li e da minha vivência como um Ícaro, eu acabei criando uma versão minha do meu nome. E, como normalmente quando eu vou contar fica muito extensa e as pessoas desistem, eu vou escrever aqui. Aí vai ficar claro o porquê das tatuagens que eu quero fazer (Imagens 2 e 3).
Bem, a história começa com Dédalo, uma das pessoas mais brilhantes da Grécia antiga, e seu filho Ícaro sendo expulsos de seu lar e indo se refugiar em Creta. Lá, ele se ajudou um romance proibido (viabilizou a cópula da esposa do rei com um Touro divino) e foi o responsável indireto pelo nascimento do Minotauro. O rei da Creta, Minos, para manter a criatura longe até que apareça alguém forte o suficiente para matar, mandou Dédalo construir um Labirinto grande e confuso o suficiente para que o Minotauro não pudesse sair.
E ele o fez, com a ajuda de Ícaro, da melhor forma que poderia fazê-lo. O Labirinto estava pronto. E era tão bom que nem mesmo o próprio Dédalo saberia como andar por ali. Após a construção do Labirinto, Rei Minos descobriu a ajuda que Dédalo deu a sua esposa e mandou prender os dois dentro do Labirinto.
Desesperados para caso não conseguissem sair mais dali, Dédalo sendo o grande inventor que sempre foi criou um plano utilizando apenas Cera e penas, que o Labirinto já possuía em sua construção. Assim, Dédalo pôde criar asas capazes de levar ele e o filho para longe. Assim, procurou e achou um abismo que dava para o mar, que o Labirinto oferecia como brecha. Os dois estavam colocando as asas quando Dédalo chegou em Ícaro e lhe disse “Essas asas aguentam seu peso, mas não poderá voar tão baixo, pois as ondas te jogarão contra as pedras, e nem tão alto, pois o Sol irá derreter as asas”. Dito isso, os dois partiram vôo.
E eles conseguiram sair de Creta, mas havia algo estranho no céu, e Ícaro percebeu logo. Subiu levemente apenas para entender o que era aquela sensação que estava sentindo, como um misto de adrenalina e felicidade. Foi quando a Nuvem saiu da frente e ele pode ver o que lhe trazia aquela angústia: a carruagem de Apolo estava a passar pelos céus e quanto mais Ícaro olhava para a carruagem e para Apolo, mais ele não conseguia se conter. E alçou voo rumo diretamente para a carruagem, mas ela estava distante. A cada batida de asa ele ficava mais encantado com a beleza da carruagem, com a beleza de um Deus como Apolo e hipnotizado por sua vontade de entender e ter o que estava de frente para ele. Naquele ponto, ele estava sentindo uma dificuldade horrível para se manter no ar, mas estava muito próximo de seu destino… As asas não aguentaram.
O calor que a Carruagem-Sol irradiara derreteu a cera das asas e as penas foram se descolando até não existir mais penas. E Ícaro caiu. Na queda, viu que Apolo não notou sua presença. Viu que estava muito longe do que ele realmente achava. Viu que o pai estava certo. Viu que ele ia morrer, mas não tinha mais outra coisa para fazer. E caiu. Dédalo, que passou todo esse tempo gritando com Ícaro, agora não tinha mais família, e seguiu seu caminho só.
Assim acaba a história. E é por isso que eu quero fazer a pena e o sol: a Pena simboliza a fragilidade de que representava a vida de Ícaro, os cuidados que ele precisava tomar e a força que ele tinha para viver. O Sol é o seu inimigo – é o sonho que não se cabe em apenas uma vida, é a força de mil bombas atômicas que simplesmente não foram feitas para um garoto franzino, é o poder que a vida não pode cobiçar. E acredito que esse seja o dilema de todo Ícaro. Sempre em procura do que não pode ter, do sonho que dificilmente se realizará.